19/10/2017

Luiz Fernando Levy: voos altíssimos, sem asas!

        Quando assumi a direção da unidade da Gazeta Mercantil na região de Campinas (SP), em abril de 1998, eu já conhecia razoavelmente bem as operações do jornal por observar, de perto, o trabalho de dois diretores regionais – Valério Fabris e Cláudio Lachini – visto como exemplo na organização.

        Fui chefe da sucursal de Curitiba dos jornais Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde por 16 anos (de 1976 a 1991) e foi ali que eu me tornei amigo e admirador de ambos. Com Valério, aprendi a força que o relacionamento com empresários pode ter na vida de um jornal de economia e negócios. Valério Fabris passara oito anos na condição de correspondente da Gazeta Mercantil no Paraná. 

        Quando deixou Curitiba para assumir postos de maior importância na empresa, quase mil empresários de todos os calibres compareceram à festa de despedida! Quem lá esteve, como eu, ficou de queixo caído em observar o prestígio do jornalista junto ao público-alvo da Gazeta Mercantil.

        Com Cláudio Lachini (sua morte em 2015 me deixou desolado), aprendi muito sobre criatividade, inovação e espírito empreendedor... Ele fora mandado a Curitiba no começo dos anos 1980 para implantar a Unidade de Negócios do Paraná. Inventou uma espécie de “unidade itinerante” da Gazeta Mercantil pelo Estado e tornou o jornal presente e forte em todos os mercados dinâmicos do interior, de Apucarana a Londrina, de Maringá a Campo Mourão, de Cascavel a Foz do Iguaçu... Suas marcas de receita e prestígio nunca foram superadas.

REENCONTRO EM SÃO PAULO

        Em 1988, eu também retornava a São Paulo, a convite de Rodrigo Mesquita, para integrar o time de jornalistas que iria transformar a AE - Agência Estado (grupo Estado) de agência de notícias em agência de informações. Fui responsável então pela implantação de uma nova rede de sucursais da AE em todo o Brasil.

        Já tentara emular o modelo operacional da Gazeta Mercantil: um jornalista nomeado como espécie de Publisher, responsabilizando-se por todas as operações da empresa regionalmente. Era uma ótima fórmula, nunca tive qualquer dúvida...

        Reencontrei-me com Cláudio Lachini em São Paulo, eu como diretor comercial da AE e ele como diretor comercial da Gazeta Mercantil. Foi ele que me convidou a assumir a unidade de Campinas...

        Cláudio Lachini passou-me as instruções e junto com elas veio uma descrição sumária do que era o plano estratégico em andamento:

        - Com as unidades regionais, pretendemos realizar uma ocupação horizontal do país e seus principais mercados. Prepare-se para lançar logo mais o jornal regional de Campinas. Ele será o instrumento pelo qual a Gazeta Mercantil fará a sua inserção vertical, nos mercados regionais e na comunidade.

        Antes de tomar posse em Campinas, tive meu primeiro contato com Luiz Fernando Levy, o comandante. Foi um encontro rápido e frio. Aprofundou um pouco a orientação que me havia sido passada por Lachini e acrescentou:

        - Os assuntos relacionados ao institucional da Gazeta, você trata diretamente comigo. Pode me ligar quando tiver necessidade. 

        Em Campinas, saí a campo, já vestido com a camisa do Publisher.  Visitei empresários, executivos das grandes corporações, lideranças empresariais, políticas e sociais. Apresentava-me, falava do plano estratégico da empresa e deixava implícito que iríamos interagir dali em diante com intensidade. “Enxerguem na Gazeta uma ferramenta de ajuda na solução dos problemas que afligem o setor empresarial na região”, concluía assim as inúmeras reuniões. 

        Marcava eventualmente encontros de grupos de empresários ou visitas às empresas com a presença de Levy, que se mostrava sempre disposto a ajudar o seu time de diretores regionais, chamados de senadores internamente, não se sabe se por ironia ou respeito.

FRUTOS SURGIRAM EM POUCO TEMPO
  
        O trabalho frutificou. As pessoas estavam ansiosas por interagir com a Gazeta. Comecei a receber telefonemas, um deles, aliás, bastante curioso:

        - Você não sabe a alegria que eu tenho em ouvir a sua voz e descobrir que você está vivo. Liguei na certeza de que receberia a informação de que você havia morrido ontem, disse-me o então secretário do desenvolvimento da Prefeitura de Campinas, Manoel Carlos dos Santos. 

        Recorri rápido ao jornal da cidade e fui direto à coluna necrológica: no dia anterior havia morrido, em Campinas, um contador de nome Dirceu Pio. Alguém abrindo a vaga pra mim, imaginei.

        Lembrei-me também, nessa época, de uma das histórias contadas por Valério Fabris. Ao desembarcar em Florianópolis para assumir, no final dos anos oitenta, a unidade regional de Santa Catarina, Valério recebe um telefonema do então governador do estado, Espiridião Amin, que lhe dava as boas vindas. Marcaram um almoço para se conhecer pessoalmente já no dia seguinte. Valério, detalhista, disse ao governador:

        - Irei vestido com terno azul e gravata vinho. E o senhor?

        - Valério, eu não costumo usar peruca, replicou Espiridião Amin, o dono da calvície mais radical entre os políticos brasileiros.

        Formei a equipe – Ana Carolina Silveira, Ana Heloísa Ferrero, Agnaldo Brito, Maria Finetto, Angela Gusikuda, Cacalo Fernandes – cuidando da redação e Alberto Luiz Ferreira e Alexandre Catani cuidando das vendas de publicidade e de assinaturas – e intensifiquei contatos com empresários.

        Em menos de seis meses, começávamos a colher resultados: o gráfico das receitas iniciaria um longo e pronunciado curso de altas mensais e sucessivas...

        Aquilo que a Gazeta definira por Região de Campinas era bem amplo: incluía os municípios de Sorocaba, Jundiaí, Piracicaba, Americana, Limeira e dezenas de outras cidades menores, que no conjunto formavam uma megalópoles com mais de 4 milhões de habitantes – e era o segundo polo brasileiro em produção industrial, perdendo apenas para a Grande São Paulo...

        Haja pernas e disposição para fincar a bandeira da Gazeta em toda parte!

E SURGE O PLANALTO PAULISTA

        Em menos de um ano, lançávamos o jornal regional de Campinas. Chamava-se Planalto Paulista. Eram na verdade de seis a oito folhas encartadas de segunda a sexta-feira no jornal-mãe com circulação restrita nos municípios da região...

        A ideia era simplesmente sensacional e nunca entendi porque, mesmo após o desaparecimento da Gazeta, nenhum outro jornal a tenha copiado!  

        Em praticamente todas as visitas que eu fazia – e eram muitas! – encontrava sobre a mesa das principais lideranças empresariais exemplares do jornal regional rabiscados ou recortados em sinais evidentes de que era uma mídia útil e necessária... Foi possível perceber a importância da cobertura sistêmica de economia e negócios regional! 

        Em menos de um ano de circulação, os jornalistas a serviço do regional eram identificados em coletivas como repórteres do Planalto Paulista, quer dizer, o filhote  tomando o lugar da mãe...

IDENTIFICAR PROBLEMAS 

        Meu passo seguinte foi identificar os mais graves problemas regionais e examinar como a Gazeta poderia contribuir com a solução! Não demorei a trombar com o problema da água: a natureza e as circunstâncias não foram nada generosas com a região de Campinas...

        Começa que o sistema Cantareira, feito pra abastecer a Grande S. Paulo, rouba, lá na cabeceira, boa parte das águas dos rios (Jundiaí, Capivari-Cachoeira, Atibaia, Piracicaba) que passam pela região. Já descem mambembes e pelo caminho eram drasticamente detonados pelo lançamento de esgotos urbanos e industriais...

        Não bastasse essa dupla tragédia, havia o grave problema geológico: uma faixa enorme do território de Campinas e vários municípios vizinhos (Vinhedo, Valinhos, Paulínia, Jaguariuna) é revestida por um maciço granítico de tal espessura que torna impraticável a abertura de poços artesianos.

        A situação era dramática, mas os usuários, sobretudo a indústria, não eram suficientemente informados do cenário ameaçador!

        Foi fácil escrever o Projeto Água, executado com brilhantismo e entusiasmo pela equipe da Unidade!

        A estrutura do Projeto obedeceu a uma agenda muito bem calculada: começou com a edição de seis cadernos temáticos encartados no Planalto Paulista e terminou com um seminário que reuniu mais de mil pessoas no auditório do CIESP, em Campinas, para discutir a cobrança pelo uso da água.

        Num primeiro resultado do projeto, conseguimos alterar substancialmente a composição da estrutura dos organismos gestores da água doce no estado de São Paulo, com redução da participação do governo estadual e aumento da participação das comunidades. 

        “Água para todos, todos pela água”, rezava o cartaz, no formato de um pôster, que servia para difundir os objetivos do programa ... Nem nós que o idealizamos e o executamos conseguimos prever tanta repercussão – o Projeto Água conquistou vários prêmios regionais e chegou à finalíssima do Prêmio Esso. 

        O cartaz foi emoldurado e colocado nas paredes de um número incontável de empresas, Ongs e Prefeituras. Foi no comecinho do novo século...

NÚMERO DE ASSINANTES DISPAROU

        Recebeu ampla adesão de anunciantes; produziu, como já disse, transformações básicas na estrutura de gestão das águas em SP; impactou inúmeras indústrias regionais só então alertadas para a escassez da água regional. Pode-se dizer, com segurança, que foi o Projeto Água que intensificou a racionalização do uso da água pela indústria paulista.
       
        Lembro-me que um dos artigos publicados nos cadernos temáticos mostrava que, na França, o valor da tarifa pelo uso da água subia ou descia de acordo com os índices de poluição dos mananciais, num mecanismo extraordinário para incentivar a conservação por usuários e municípios... 

        Outro artigo apontava para os riscos da paralisia quando os governos açambarcam e tutelam os organismos de gestão: em nenhum dos países onde isso ocorreu houve avanço mais significativo na proteção de mananciais...

        Outro resultado fantástico do projeto foi o modo como ele incentivou a leitura do jornal-mãe, tanto que as assinaturas da Gazeta Mercantil na região de Campinas, até então estacionadas na casa das quatro mil, disparou impetuosamente para encostar na marca de 20 mil, simplesmente um arrojo para um jornal segmentado... Muito mais gente quis acompanhar os conteúdos do Projeto Água e para isso era convencida a assinar a Gazeta Mercantil...

MAIS E MAIS PROJETOS      

        Na sequência do Projeto Água, veio o Projeto Ambiental e na sequência deste veio o Projeto Socioambiental, este com duas novidades: a instituição de um Prêmio a empresas, prefeituras, ONGS, propriedades rurais que nos apresentassem os melhores programas socioambientais e estadualização das atividades (Por determinação de Luiz Fernando Levy eu havia assumido a direção de duas outras unidades, a do Vale do Paraíba e a de Ribeirão Preto, o que permitiu ampliar a área de alcance dos projetos para quase todo o Estado de São Paulo).

        Para quem estava de fora, foi bonito de ver: informadas de que ganharam um dos prêmios, prefeituras e empresas de cidades longínquas como Rio Claro, Penápolis, Caçapava e Jacareí formaram caravanas de ônibus e carros para vir a Jaguariúna, na Red Eventos, participar de um seminário e assistir à solenidade de entrega dos Prêmios – troféus confeccionados por crianças carentes de uma instituição de Campo Limpo Paulista, mais diplomas e cartelas de selos de qualidade socioambiental que as empresas poderiam colar em seus produtos...

        Ao derrubar as torres gêmeas de Nova Yorque, em 11 de setembro de 2001, Bin Laden certamente não poderia imaginar que estaria matando também o maior jornal de economia e negócios da América Latina...
        Ao concluir o Projeto Socioambiental, eu já sabia tudo o que estava na iminência de acontecer... depois dos atentados, a Gazeta iria amargar meses sem a entrada de um só anúncio pago e os funcionários iriam suportar meses de inadimplência salarial...

A FESTA ACABOU

        Quanto realizamos a festa de encerramento do Projeto Socioambiental – nada menos de 2.500 pessoas em grande animação na Red Eventos com direito a jantar, tudo pago pela CPFL, patrocinadora máster  -  já sabíamos que as unidades do interior paulista seriam fechadas...

        Luiz Fernando Levy, acovardado, já batera em retirada, entregando o comando da empresa para o inepto Sergio Thompson Flores... Meu amigo Cláudio Lachini é que esteve em Jaguariúna e deve ter percebido todo o meu desencanto...

        Lembrava-me dos meus tempos de Agência Estado... Monitorávamos a Gazeta Mercantil por saber que ela, com seus conteúdos especializados, seria um concorrente respeitável se entrasse na difusão de informações pela via eletrônica...

        Olhávamos com desconfiança para o barulho provocado pela implantação do plano estratégico de Levy em ritmo acelerado... Sabíamos que a Gazeta era uma empresa em crise... Há tempos não recolhia o FGTS de seus funcionários e não honrava nenhum dos contratos que assinara com as instituições que a socorrera... De onde será que vem o dinheiro pra tanta expansão? – nos perguntávamos.

        Até que um dia dois diretores da AE – Sandro Vaia e Eloi Gertel – conseguiram marcar um almoço com um consultor empresarial que – sabíamos – conhecia a fundo as movimentações da Gazeta... limitou-se a contar aos perplexos Sandro e Eloi a seguinte anedota:

        - Sentado ao lado de um papagaio, um executivo fazia um voo internacional de longa distância...depois de iniciado o serviço de bordo, ambos fizeram pedidos à aeromoça, que passava pra lá e pra cá sem atendê-los... Em menos de dois minutos de espera, o papagaio já a destratava, xingando-a de tudo quanto é nome... Já o executivo suportou calado a espera de quase uma hora até que, enfim, ensandecido, resolveu imitar o papagaio e também xingou a moça de prostituta pra cima... deu azar, o comandante viu tudo, pegou os dois – papagaio e executivo – e atirou pela janela do avião... O executivo despencando em alta velocidade vê o papagaio, alegrinho, formoso, batendo as asinhas, aproximar-se dele pra dizer: - Pra quem não tem asa, você tem uma coragem que é um espanto!

        Foi a melhor definição do Luiz Fernando Levy que já ouvi: um executivo sem asas, mas com uma coragem assombrosa!

        (No próximo capítulo da série você vai ler tudo sobre o Investnews, o serviço eletrônico da Gazeta Mercantil, e a ideia extravagante de Luiz Fernando Levy de criar o Amercosul) 





10/10/2017

Um doidivanas no comando da Gazeta Mercantil!

        O patrono da Gazeta Mercantil, Dr. Herbert Levy, era pontual. Apoiado na mesma bengala que o acompanhou nos últimos dez anos de vida, foi o primeiro convidado a chegar ao evento que organizávamos em Campinas para lançamento de um guia de cultura e lazer dos municípios que margeiam as rodovias Bandeirantes e Anhanguera.

        Eu dirigia há cinco meses a URN - Unidade Regional de Negócios de Campinas (SP) e já fora informado que Herbert Levy tinha um carinho especial para com o interior paulista de onde saíram os votos que o elegeram deputado federal por vários mandatos...

        Recebi-o, acomodei-o numa poltrona à beira da piscina do hotel Royal Palm Plaza. Ainda envolvido com os preparativos do evento, não tive como dar-lhe atenção, tarefa que repassei a amigos, diretores do jornal em São Paulo, seus velhos conhecidos.

        Assim que me vi livre das preocupações com o evento, aproximei-me dele em tempo de presenciar um diálogo memorável:

        - Retornamos ainda ontem do Nordeste onde lançamos três jornais regionais, informava-lhe um dos diretores da sede, em São Paulo.

        - Três jornais regionais!!?? Mas que maravilha! Esse meu filho Luiz Fernando  é um grande empreendedor, um empresário com uma visão extraordinária...

        - E tem mais, dr. Herbert: no próximo mês, vamos lançar mais três jornais regionais aqui, no interior de São Paulo, disse-lhe o mesmo interlocutor, certamente empolgado pela reação ao informe sobre as iniciativas do Nordeste.

        - Mais três??!! Escuta, não é muito não!?

        Falecido em janeiro de 2002, o dr. Herbert não teve o desgosto de ver o filho entregar sua empresa, já destroçada, ao salafrário Nelson Tanure... E nem chorar pela última edição do jornal (junho de 2009) que ele fundara no longínquo 1922.

        Mas aquele diálogo nas bordas da piscina do Royal Palm Plaza num dia qualquer de setembro de 1998, além de ser premonitório, foi também uma síntese primorosa de tudo o que aconteceria com o maior jornal de economia e negócios da América Latina na primeira década do Novo Milênio...

        Se fosse possível encontrar-me com ele, hoje, eu lhe diria: “Foi muito sim dr. Herbert... E como! Seu filho empreendedor e de visão extraordinária quis implementar em dois ou três  anos um plano estratégico que o bom senso recomendaria execução gradual em 10 ou 12 anos”.

        Nenhuma empresa do mundo teria resistido, por mais sólida que fosse, a tanta ousadia, açodamento e irresponsabilidade...o culpado pelo imenso desastre que se abateu sobre a Gazeta Mercantil, matando-a, foi um homem só e se chama Luiz Fernando Ferreira Levy, falecido em Florianópolis (SC), de causas naturais, aos 72 anos (e não 77, como foi divulgado), na primeira semana de outubro de 2017...

        O plano estratégico que poderia ter levado o jornal Gazeta Mercantil a ser o maior diário de economia e negócios das Américas era consistente e funcionava, como eu mesmo consegui demonstrar com as operações da URN de Campinas !
   
        (Pretendo contar a história dessa comprovação no próximo capítulo desta série; por ora, detalharei o plano estratégico e a ousadia e a irresponsabilidade de sua desastrada implementação!)

MALDITO ANO 2000

        O ano da virada do século – 2000 – foi o melhor ano econômico da história da Gazeta Mercantil! Antes estacionada na casa dos 150/160 milhões/ano, em 2000 as receitas ultrapassaram - e muito! – a casa dos 200 milhões!

        Tornou-se assim um ano maldito, pois foi graças a esse desempenho que Levy afundou o pé no acelerador na implementação de seu plano estratégico, então acrescido da entrada do jornal em televisão ! Foi a chamada “acelerada fatal”!

        Já era pura megalomania, mas Levy decidiu enfiar o jornal de cabeça na TV Gazeta negociando com os diretores da Fundação Casper Líbero, detentora do canal com penetração razoável em São Paulo: “Precisamos aproveitar as benesses da homonimia”, justificava sem detalhar os termos do contrato que certamente impunha ao jornal mais um ônus insuportável!

        Com ou sem talento para TV, jornalistas do impresso passaram a ocupar várias horas de vídeo com uma programação improvisada, sem nenhum planejamento!

MAPA PONTILHADO

        Nido Meirelles, o diretor de circulação, costumava dizer aos diretores regionais:

        - Querem ver o Luiz Fernando feliz, mostrem pra ele o mapa do Brasil salpicado de unidades da Gazeta Mercantil?!

        E era verdade!  Em seus delírios expansionistas, nada animava mais o condutor do projeto que o convite para inaugurar uma nova unidade, para lançar mais um jornal regional ou apenas para participar de um evento que simbolizasse iniciativas e ações estratégicas...

        O plano estratégico era feito de quatro pontos bem demarcados:

        1)- Ocupação horizontal do Brasil com implantação de URNs em todos os mercados dinâmicos, do Oiapoque ao Chuí, literalmente...Para cuidar do Rio Grande do Sul, nomeou o dinâmico Hélio Gama; pra cuidar, lá em cima, do Pará, nomeou a experiente Cíntia Sasse; Guilherme Pena foi cuidar do Triângulo mineiro, território sensível por que era ali que, no município de Romaria, Levy tinha a fazenda onde enfiou, segundo me revelou um empresário de Campinas,  alguns milhões dos recursos do jornal....Em dois anos, nasceram nada menos de 20 unidades da Gazeta, quer houvesse recursos para tanto ou não...

        2)- Ocupação vertical, de todos os mercados dinâmicos, através dos jornais regionais...Ele mesmo definia: “O jornal nacional traz os acontecimentos de economia e negócios do país e do mundo; e o jornal regional – na verdade um caderno de circulação local encartado no jornal-mãe – traz o noticiário dos municípios e deve servir de instrumento para penetração da Gazeta nas comunidades, verticalmente”.
    
        3)- Descentralização da planta gráfica...A Gazeta Mercantil foi pioneira no deslocamento da impressão do jornal para fora da cidade onde estava localizada a planta-matriz (SP). No início, os arquivos do jornal, já diagramado e pronto para impressão, eram transmitidos por um sofisticado sistema a laser...Levy pegou os primórdios do alargamento das bandas de internet e deu como missão aos diretores regionais a viabilização de acordos com gráficas locais que permitiriam a impressão local. ”O leitor da Gazeta em Belém do Pará ou em Manaus vai receber o jornal no mesmo horário em que o jornal é entregue em São Paulo”, orgulhava-se Levy...

        4)- Todas as unidades regionais têm de ser autossuficientes, ou seja, devem faturar o suficiente pra pagar seus gastos locais e bancar os gastos com as operações do jornal nacional...essa era a meta e os diretores regionais tinham de pensar em estratégias que permitissem alcançá-la no menor prazo possível...Preocupado com o tema, Levy começara a mandar alguns diretores regionais até para o exterior com o objetivo de qualificá-los em gestão....



OUSADIA CEGA E CARÁTER GELATINOSO

        Com tantas extravagâncias, o caixa da empresa gemia; mas o condutor não era de se importar com estouros do orçamento. Uma vez, num encontro de diretores e editores do jornal em Uberlândia, enquanto fazia xixi no banheiro do hotel, foi informado que as contratações que ele acabara de autorizar, fariam explodir o orçamento da empresa e ele reagiu: “Xiii! O financeiro vai comer meu rabo!”

        Financeiro e RH tentavam barrar o festival de contratações pois enxergavam com clareza que havia um desencontro feérico entre o ritmo da expansão e o caixa, mas Levy foi implacável ! Em novo encontro das lideranças em Vitória, no Espírito Santo, anunciou a demissão das pessoas que tentavam retardar a implementação de seu plano e foi aplaudido de pé pela plateia que incluía os diretores regionais!

        A irresponsabilidade não era tudo! Luiz Fernando Ferreira Levy levara para o comando da empresa suas duas compulsões: a de não pagar o que deve e a de trair os amigos, não importava o que haviam feito por ele ou por sua empresa...

        Não pagava credores, não pagava nenhuma fatura que viesse do governo e costumava dizer que o governo é que financiaria a expansão da Gazeta... Não cumpriu nenhum dos acordos firmados com as instituições que socorreram a Gazeta (Fundos de Pensão, Bofa, entre outras). Nos últimos tempos, a Gazeta só recolheu o FGTS, de seus empregados de salários maiores, do ano de 2000...

        Era também um traidor inveterado... Traiu a todas as pessoas que o ajudaram – Cláudio Lachini, Mário de Almeida, Roberto Muller, Mathias Molina, Delmo Moreira e tantos outros...Nunca o vi preocupado com os dramas que a sua irresponsabilidade provocou... Soube há pouco tempo que um dos seus mais diletos amigos atirou-se do quinto andar de um prédio em São Paulo; conheço inúmeras outras histórias de sofrimento causado pela falência da Gazeta Mercantil, entre as quais está a do vendedor Alexandre Catani, de Campinas, que teve sua vida completamente desestruturada com a perda da casa, a perda da mulher, a perda da auto-estima... Só recentemente Catani conseguiu emergir da profunda depressão...foi o vendedor mais criativo com quem já trabalhei...

        O saldo de caixa do ano 2000 foi rapidamente consumido pelo tresloucado plano de TV. Tudo indicava, pelo desempenho da receita no primeiro semestre, que 2001 seria tão bom quanto o ano anterior... A sucessão de crises ocorridas a contar de junho – crise do Apagão, crise da Argentina, 11 de setembro – transformou a Gazeta Mercantil em espécie de borboleta perdida em meio à tempestade.

        Tinha mesmo de sucumbir...




04/10/2017

Requiem para Luiz Fernando Levy (I)

Salvo engano, fui o jornalista que ficou ao lado dele por mais tempo durante a tempestade final ! Acompanhei de muito perto a derrocada da Gazeta Mercantil e o desmoronamento dos Fóruns de Líderes que ele tentava salvar, à margem do jornal, que havia sido arrendado (2004) ao deletério Nelson Tanure...

Não tenho palavras para qualificar essa perda: não digo “já foi tarde” ou “que pena”, nem “uma grande perda” ou apenas “coitado, se foi!”... a morte de Luiz Fernando Ferreira Levy, neste 3 de outubro de 2017, em Florianópolis (SC), não mexeu comigo... mexeu mais com minha advogada, Daniela Freitas, que já me disse que vai ficar mais difícil para recebermos um resíduo importante da indenização trabalhista...

Eu trabalhei próximo dele por vários anos! Na época, eu amargava o estigma de quem trabalhara numa empresa insolvente... Não recebia propostas... além disso, já previa as dificuldades que teria para receber o meu passivo da Gazeta, que havia aumentado a valores nada desprezíveis... Se eu ficar mais próximo dele, será mais fácil receber, pensei... Foi um grande equívoco!

A vida é assim mesmo, feita de erros e acertos! Eu já havia errado antes, ao me desligar da Agência Estado pensando em empreender... Optei por trabalhar na Gazeta Mercantil e sepultei, talvez para sempre, a vocação inata de empreendedor...

Não me arrependo de nada do que fiz ou deixei de fazer... Mesmo passando por dificuldades nos últimos 15 anos (minha situação só foi melhorar há pouco tempo, após receber uma parte da indenização da Gazeta), consegui preservar intacto, firme como uma rocha, o bem mais precioso que um homem pode ter: o caráter!

O mesmo não se pode dizer do falecido!

Cláudio Lachini, meu dileto amigo, que infelizmente já partiu, como grande conhecedor da cultura da Gazeta (foi ele que me convenceu a aceitar o cargo de diretor regional de Campinas), havia me alertado para o caráter “gelatinoso” de Levy, mas eu, sem outra opção de curto prazo, resolvi pagar pra ver...

CRISE DE COMUNICAÇÃO

No livro que acabo de publicar sobre comunicação empresarial – "A Força Transformadora da Comunicação Interna", simplíssimo.com – dou a crise da Gazeta como exemplo de tudo aquilo que as organizações em crise não devem fazer! Escrevi que antes de morrer abatida por uma crise financeira, a Gazeta foi arrastada para o abismo por uma monumental crise de Comunicação...

E isto é relativamente fácil de explicar: as operações da Gazeta eram decentralizadas... o total das receitas da empresa era resultado da soma das receitas obtidas por suas 20 unidades regionais... o modelo operacional da Gazeta era fortemente baseado na figura do diretor de unidade, que fazia o papel do Publisher junto aos mercados regionais...

Assim que enxergou a possibilidade de comprar a Gazeta Mercantil, o deletério empresário Nelson Tanure , já arrendatário da marca do Jornal do Brasil, firmou um nefasto acordo de “cooperação” com Levy pelo qual a venda de publicidade de ambos os jornais seria centralizada... O comando será da Gazeta, "facilitou" o esperto Tanure...
  
A função de Publisher do diretor de unidade foi suspensa... Claramente baseado na tese de que quanto pior fosse a gestão da Gazeta, mais fácil seria a negociação com Levy, Tanure atacara no ponto certo... Se havia em todo país empresários dispostos a ajudar a Gazeta, faltaram interlocutores (os diretores regionais) capazes de transformar essa ajuda em realidade...

Sei do que falo: eu mesmo consegui salvar uma fatura de 350 mil reais do balanço do Banco da Amazônia... Estava por acaso na sala do diretor comercial Xerxes Gusmão (já falecido), em São Paulo, vi-o tenso, apreensivo, perguntei o que se passava e ele respondeu num tom de desespero: “Perdemos o balanço do Banco da Amazônia para o Valor Econômico!”

PERDAS ATRÁS DE PERDAS

Só mesmo quem estava ali vivendo os horrores da crise podia enxergar o significado de uma perda daquela grandeza: agi rápido! Consegui o telefone do banco e em menos de dez minutos negociava com o diretor de marketing do banco... soube então o que acontecera: anunciante antigo e cativo da Gazeta, o banco, meio a contragosto, negociara a publicação de seu balanço no Valor Econômico na certeza de que pagaria menos da metade do que gastaria com a mesma publicação na Gazeta Mercantil...a informação era falsa...alguém que não soubemos descobrir quem foi falara com o banco em nome da Gazeta informando preços absurdos... 

Com aprovação de Xerxes, ofereci um desconto de 20% ao preço de tabela e reverti a negociação em cinco minutos...

Do Oiapoque ao Chuí, toda a atividade comercial da Gazeta Mercantil era apoiada pelos diretores regionais, todos jornalistas experimentados, por exigência da Empresa... Tanure sabia disso e com certeza agiu de má fé... Perdas iguais - ou piores - que essa, do Banco da Amazônia, ocorreram em toda parte... uma tristeza...

Ao centralizar a área comercial, Levy eliminou qualquer possibilidade de sobrevivência de sua empresa...jogou também na lata do lixo a capacidade intelectual de suas lideranças em encontrar saídas para a crise. As lideranças da Gazeta foram alijadas do processo decisório...

Visto como um líder empresarial altivo e imponente durante alguns anos, Luiz Fernando Levy , mal começou a crise, enclausurou-se em seu gabinete de onde tomava, solitária e tecnocraticamente, as decisões mais desastradas...quando a crise se aprofundou, em 2002, acovardado, bateu em retirada e entregou o comando da empresa ao inepto Sérgio Thompson Flores que só fez agravar todos os problemas...

Ao retomar o comando, dali a um ano, Levy encontrou uma empresa destroçada e mutilada com tal violência que já não foi possível fazer mais nada, a não ser enfiar o rabo entre as pernas e arrendar a marca ao inefável Tanure...

(No próximo artigo desta série, falarei do plano de Luiz Fernando Ferreira Levy – aparentemente ardiloso, mas estúpido pelo prazo acelerado de implantação – de transformar a Gazeta Mecantil no maior jornal de economia e negócios das Américas!)

 Luiz Fernando Levy






25/09/2017

OPRESSÃO NUNCA MAIS!

“Quem não deve, não teme!” – não existe frase mais imbecil – ou mentirosa – do que essa!


Desde os primórdios da História do homem, a opressão se impõe pelo medo… Para ficarmos nos tempos modernos, vemos claramente que o Nazismo se impôs pelo medo (pensem no Diário de Anne Frank !), que o fascismo se impôs pelo medo, que Josef Stalin dizimou milhões de pessoas através do medo, que Augusto Pinochet se impôs pelo medo, que todas as ditaduras, inclusive esta recente, brasileira, a de 1964, se impôs pelo medo...


O que foi o Macartismo se não um movimento liderado pelo senador americano Joseph McCarthy (de 1950 a 1957) baseado no medo e na difamação?


Eu que nunca fui um militante de esquerda na verdadeira acepção da palavra, já senti muito medo! Não devia nada a ninguém, mas tive muito medo!


Duas coisas que eu detesto, portanto: opressão e voltar a sentir medo da opressão! Não há nada que possa me fazer desejar a volta de um regime opressor, nada, absolutamente nada!


A maldita frase – Quem não deve, não teme! – ainda está aí, latente, viva. Foi apenas engavetada por uns tempos, mas começa a voltar agora na esteira dos que defendem a candidatura desse energúmeno chamado Jair Messias Bolsonaro ou na esteira dos que defendem – simplesmente – a volta da Ditadura Militar… Tudo muito lamentável!


Passam-me pela cabeça, infelizmente, vários episódios vividos pelos brasileiros da minha idade (completarei 70 anos em dezembro) em período tão recente que é espantoso que já os tenhamos esquecido !


O primeiro deles foi protagonizado pela atriz Dina Sfat, a maravilhosa atriz que teve morte prematura atacada que foi por um câncer de seio; Dina não era o que se podia chamar de militante de esquerda...era apenas uma mulher consciente e digna...


Dina Sfat participava (1981- governo Figueiredo) de uma entrevista com o general Dilermando Monteiro, ex-comandante do II Exército, pelo antigo Canal Livre, programa da TV  Bandeirantes… Manteve-se calada durante todo o tempo, até que o próprio general a provocou a falar...


Dina pronunciou então a famosa frase que parecia entalada na garganta de todos os brasileiros de bem:


- Eu tenho medo dos generais!


CLIMA DE TERROR


Era um sentimento generalizado! Todos tínhamos medo da opressão, da farda, num período em que o verde-oliva, a cor do uniforme do Exército, transformara-se num símbolo de poder, não importa a estrela ou a patente dos ombros! Um soldado raso podia mais que um PHD dentro de um regime instaurado através de um golpe nas instituições democráticas e que se iniciava com a queima feérica de livros!


Fernando Gabeira, este sim um militante da esquerda armada que quis enfrentar o regime, conta em seu livro “Que Isso, Companheiro?” a comovente história de um torcedor do Flamengo que aceitou uma carona de um desconhecido a caminho do Maracanã!


Foi preso e absurdamente torturado apenas por ter sido encontrado no mesmo carro dirigido por um militante a caminho de um “ponto” marcado para a frente do estádio em dia de jogo...


Eu mesmo (1972) já fui obrigado a acompanhar um amigo (Ariverson Feltrin, já falecido) até o quartel da rua Tutóia, no Bairro Paraíso, (SP)... voltávamos da universidade à noite, meu amigo usava uma jaqueta verde-oliva, fomos abordados por um agente secreto do Exército e levados até o quartel sem saber absolutamente nada do que se passava...


Dois soldados nos conduziram de fuzil e baioneta nas costas até o interior do quartel, onde fomos submetidos a um interrogatório de cerca de uma hora e só liberados depois que viram nossos documentos que incluíam identidade de jornalista...


Tudo porque queriam saber a origem da jaqueta num período em que vários militares, inclusive o famoso Carlos Lamarca, abandonavam o Exército para aderir àquela outra estupidez, a luta armada contra a ditadura...


TORTURADOS POR SEREM CHILENOS


Em 1970, estive com dois rapazes chilenos que haviam sido torturados no quartel da rua Tutóia; um deles andava com dificuldade e o outro escarrava sangue; haviam saído de bicicleta de Santiago pouco antes do golpe militar que derrubou o governo de Salvador Allende...Procuraram a redação do Diário do Grande ABC, em São Caetano do Sul, onde eu trabalhava na época, para ver se conseguiam algum dinheiro para voltar para casa… Seu crime: ser chilenos, nada mais que isso...


Em 1971, entrei para a universidade (curso de Letras, Usp) onde viveria  quatro anos em clima de tensão e terror; estudantes eram sequestrados e mortos; nossos melhores professores eram obrigados a fugir do país (João Alexandre, um gênio da teoria literária, entre eles) para não ser presos e torturados; meus melhores amigos do colegial, entre eles Caio Martins, cujo convívio só recentemente  recuperei pelo Facebook, teve de fugir do país para só retornar com a anistia...


Isto tudo sem falar no Pantera, aquele talentoso diagramador do Diário do Grande ABC, que foi preso e monstruosamente torturado por ter em casa um livro (apenas UM livro !) que contava a história de Che Guevara...Pantera foi delatado (vivíamos uma época em que os delatores estavam por toda parte) por um colega de trabalho (Cassiano) que mais tarde foi descoberto como informante do Doi-Codi...


QUERO LIBERDADE !


Não quero censura! Não quero qualquer restrição ao meu direito de ir e vir, ao meu direito de protestar, de gritar, de denunciar, de escrever contra ou a favor de tudo aquilo que eu considerar errado ou certo...quero meus direitos de cidadão respeitados...quero, em síntese, liberdade!


Sei que não vamos resolver os nossos graves problemas chamando os militares de volta e nem elegendo um Salvador da Pátria!


Os militares já tomaram conta do Brasil por longos 22 anos para livrar o país do comunismo, mas o comunismo continuou tão aceso quanto antes!


Chamar os militares de novo pra livrar o país da corrupção é uma estupidez!

Eles passaram 22 anos no poder sem criar, ao contrário do que aconteceu na Itália, uma metodologia eficaz de combate à corrupção!  Conviveram em harmonia com inúmeros casos de corrupção!


Roubou-se também muito em todos os governos militares e o deputado Paulo Salim Maluf, símbolo da corrupção brasileira, foi o candidato apoiado pela cúpula militar na célebre eleição do Colégio Eleitoral, vencida por Tancredo Neves!


(O porta-voz dos militares nos estertores do regime foi o brigadeiro Délio Jardim de Matos, que apoiou abertamente a candidatura de  Maluf no Colégio Eleitoral)


Não existem atalhos!


Nossos problemas serão resolvidos no dia em que nós, o povo, fizermos cumprir aquele artigo da Constituição que diz, clara e insofismavelmente:

“Todo o poder emana do povo e em seu nome será exercido!”


A família de Anne se mudou para Holanda em 1933, ano da ascensão dos nazistas ao poder. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, o território dos Países Baixos foi ocupado e a política de perseguição do Reich foi estendida à população judaica residente no país.

Dina Sfat


Av. Paulista (SP) tomada por manifestantes



Nossos problemas só serão resolvidos no dia que os brasileiros assumirem o seu poder constitucional !!


14/09/2017

UM LIVRO QUE PRETENDE SER ÚTIL

Já está disponível nas principais livrarias do país, o meu livro “A Força Transformadora da Comunicação Interna”, no formato e.book, editado pela “simplíssimo.com”... O título é uma reverência àquela que eu considero a mãe de todas as comunicações do ambiente corporativo...


A editora pediu-me que sintetizasse a obra em três linhas e eu escrevi: “Em apenas 160 páginas, este livro corrige a imensidão de erros e equívocos que ameaçam de morte a comunicação empresarial… É perigoso não ler!”


Escrevi convicto e inspirado no que se observa nas bibliotecas virtuais (Google,Yahoo, como exemplos), onde se pode ler milhões de referências (artigos, ensaios, monografias, comentários, textos explicativos, definições, monografias, discursos, etc) com números também espantosos de conceitos errados sobre comunicação corporativa ou profissional...


E isto tem causado uma verdadeira tragédia na comunicação empresarial, pois ninguém consegue corrigir uma prática que não sabe o que é e nem como deve funcionar...


Coloco neste livro tudo o que aprendi na vida em comunicação profissional… Passei vários anos observando e estudando o assunto até que, mais recentemente, incentivado por pessoas que já leram meus apontamentos, resolvi compartilhá-los ...


Sei que para muitos de vocês, a leitura será maçante por mais que eu tenha me esforçado em dar ao texto leveza e coloquialidade...


Já observei o impacto do livro sobre estudantes e jovens no começo ou na metade da carreira profissional… Sei dizer que o livro funciona e é transformador de comportamentos e atitudes no trabalho, no dia-a-dia das corporações! Acreditem!


No link abaixo vocês podem acessar a página do livro no site da "simplíssimo" e adquiri-lo… Trechos de alguns capítulos estarão lá a sua espera...

Compartilhem, ajudem a divulgar....





06/09/2017

Fim dos jornais: desafios do novo negócio!

Donos de jornal presenciam perplexos o desmoronamento do velho, lucrativo e confortável negócio e se comportam como borboletas perdidas na tempestade! No desespero, alguns me perguntam o que fazer e eu não tenho uma resposta pronta porque também sou tomado pela perplexidade!


Sei dizer apenas algumas coisas que “não se deve fazer” e acrescento as coisas que “eu faria”,  se estivesse no comando de alguma mídia impressa neste momento de crise aguda, crise de transição entre o modelo de negócio antigo para um novo e ainda indefinido modelo! Eu as faria, ainda sem a certeza de atirar no alvo certo.


Coisas que, a meu ver, não devem ser feitas:


1ª.)- Ficar parado! - A paralisia e a inércia serão duramente castigadas pela velocidade das transformações em curso! Num mundo em que todos se mexem, é preciso se mexer também pra não ficar pra trás!


2ª.)- Trabalhar de costas viradas para as vertiginosas mudanças em Tecnologia de Informação! - Há que monitorar o novo mundo, assimilar conhecimento sobre as milhares de experimentações que acontecem em todo o Planeta!


3ª.)- Ter medo de atirar! - A ordem é apertar o gatilho muitas e muitas vezes! Experimentar! Selecionar os experimentos bem sucedidos e assim se preparar para definir seu novo modelo de negócio!


4ª.)- Titubear na hora de adequar os custos das novas operações! -  Por mais bem sucedida que seja sua inserção no novo modelo, ela não produzirá, de saída, a mesma receita e a mesma rentabilidade de antes...melhor se preparar para um regime de rédeas curtas em custos e gastos...


6ª.)- Titubear em tirar de circulação mídias impressas deficitárias ou em vias de se tornarem deficitárias... - Você sabe que manter uma mídia impressa significa muito desembolso em curto espaço de tempo… pense em que as antigas receitas dificilmente retornarão...Não trabalhe no vermelho!


7ª.)- Abandonar ou esquecer as marcas antigas. - Há que carregar as antigas marcas e usufruir, indefinidamente, da carga de credibilidade e visibilidade que elas transportaram e acumularam durante muito tempo... Errou a Folha de Londrina, do Paraná, ao adotar para o seu serviço de notícias no meio digital um outro nome – Bondenews – sem nada que lembre a  antiga marca que circula diariamente há 68 anos!


8ª.)- Preocupar-se com os assuntos miúdos e tratá-los como assuntos miúdos... - Erra o serviço eletrônico da gaúcha Zero Hora ao dar a um assunto de trânsito em Porto Alegre a mesma importância da notícia sobre a prisão de políticos do Estado por desvios em obras públicas… Há que “nacionalizar” a pauta e transformar o “local” em “nacional” -  via contextualização… É preciso encontrar algum jeito de transformar uma notícia de trânsito em Porto Alegre numa boa matéria de “problemas urbanos” que possa ser lida com interesse por qualquer morador de qualquer cidade do mundo!


9ª.)- Nunca se esquecer de que o digital rompe todas as barreiras do regional e que a mesma notícia deve ser lida com o mesmo interesse pelo morador da periferia de Porto Alegre e pelos moradores de Manaus, Pequim, Dubai, simultaneamente...


10ª.)- Nunca se esquecer de que a época de fazer a notícia chegar ao leitor está no fim ... - No digital, o leitor estará lá à espera do que você vai lhe oferecer...só não lhe mande o prato requentado do analógico, do antigo-de-sabor-ruim...O digital é o mundo da criatividade e da inovação...


EU FARIA ASSIM


Coisas que “eu faria” se estivesse no lugar de um desses empresários ou tivesse de encarar o desafio de montar uma nova plataforma digital:


1ª.)- Promoveria treinamento intensivo de toda a equipe...é necessário que todos que vão participar do novo desafio estejam preparados para o embate e imbuídos de uma clara compreensão de metas, objetivos, estratégias...   De saída, indico aqui seis palestrantes, a meu ver indispensáveis para dar início ao jogo da nova plataforma:


a)- Rodrigo Lara Mesquita - além de ter sido o CEO da Agência Estado, é uma das pessoas do Brasil que mais entendem e estudam as transformações que se processam no mundo da informação...


b)- Demi Getsko, o maior conhecedor da internet no Brasil...


c)- Renato Cruz, o dono e criador da inova.jor, uma agência de notícias que monitora as inovações tecnológicas do setor empresarial....


d)- Moisés  Rabinovich, jornalista, ex-correspondente internacional...pode ensinar como fazer o monitoramento de tendências das mídias internacionais...


e)- Oscar Motomura, presidente e fundador da Amana-Key, especializada em inovações radicais em gestão...


f)- Sergio Kulpas, jornalista, autor de dois boletins diários sobre transformações de mídia no Brasil e no mundo...


2ª.)- Escalaria alguém bem preparado pra monitorar as transformações e experimentos da mídia digital em todo o mundo! Esse profissional deve ter condições de identificar e compor parcerias estratégicas no Brasil ou em qualquer parte do planeta!


A ideia é a mesma adotada pela Agência Estado, empresa do Grupo O Estado de S. Paulo, nos anos 1990, da qual fui executivo  de vendas e marketing.


Uma das primeiras providências do diretor geral, Rodrigo Lara Mesquita, foi instalar um núcleo de monitoramento das transformações que ocorriam nas plataformas de difusão de informações: o mundo saía do tempo diferido para entrar no tempo real (realtime) e as antigas agências de notícias transformavam-se em “agências de informações”.


Foram também, como agora, mudanças viabilizadas pela evolução das tecnologias de informação: entrávamos  na “Era dos Informadutos”, tal qual fora descrita pela Universidade de Navarra, na Espanha.


Enquanto as agências de notícias forneciam conteúdos para a mídia impressa, as agências de informações, graças à nova tecnologia de transmissão de dados, forneciam conteúdos para empresas e mesas de operações financeiras. Eram conteúdos distribuídos já com grande agilidade e serviam para tomada de decisão de compra e venda de ativos financeiros!


A Agência Estado transformou-se em “case de sucesso” ainda na década de 1990 e, sob comando do jornalista Júlio Moreno, o núcleo de monitoramento, chamado de Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento, teve um papel fundamental na decolagem fulminante do projeto. Funcionava como uma bússola, identificando experimentos bem sucedidos e indicando parcerias estratégicas em todo mundo.


3ª.)- Reuniria toda equipe (quando eu digo “toda”, é toda mesmo, ou seja, todas as pessoas que serão envolvidas nas operações da nova mídia, não importa a função) para, no regime de “brainstorm”, identificar e hierarquizar “os nossos mananciais”.


O que eu chamo de “nossos mananciais” ? São os temas que mais vão  oferecer pauta para o novo “serviço digital de notícias” e assim permitir que eu:


a)- Produza diferenciais de cobertura


b)- Faça um serviço relevante


c)- Faça um serviço útil


d)- Faça um serviço interessante para muitos, independentemente do local onde se encontrem e vivam...


Um serviço que nasça, por exemplo, em Curitiba, não pode deixar de dar uma cobertura sistemática à Lava Jato; tem por obrigação ser o serviço mais especializado no assunto do País...da mesma forma, por estar em Curitiba, tem por obrigação gerar ótimos conteúdos em cidade, urbanismo, transporte público... Lava Jato e Urbanismo, entre vários outros, são dois “mananciais importantes” de um serviço curitibano...


Já um serviço que nasça em Campinas (SP) deve ter uma editoria forte em indústria (pra quem não sabe, a região de Campinas é o segundo polo brasileiro em produção industrial)...Campinas permite ainda uma boa cobertura em pesquisa científica (Esalq, Unicamp, Puc) e em desenvolvimento tecnológico (CPQD, IBM, Motorola, etc...). Campinas deve ainda ser forte na geração de conteúdos em comportamento (vida em condomínios),  arquitetura, etc. etc. etc.


Um serviço que nasça em Santa Catarina ou no Rio Grande do Sul precisa ser forte em turismo, em agricultura, em pesca, psicultura, empreendedorismo, como exemplos...


Cada Estado, cada região, cada cidade, tem os seus “mananciais” e a ordem é identificá-los e hierarquizá-los, ou seja, classificá-los por grau de importância editorial, tudo feito num esforço coletivo...


A ideia de reunir a equipe para a  concepção do novo projeto é importante para se obter comprometimento, pois as pessoas não se comprometem com aquilo que lhes é imposto de cima para baixo...em outras palavras, não há comprometimento quando não há comunicação, transparência, participação, espírito democrático de trabalho...Lembrando que a falta de comprometimento é a porta de entrada para o fracasso...


4ª)- Passaria a operar, desde o início, no regime multimídia – texto, foto, ilustração, voz e vídeos !


5ª.)- Criaria um alentado grupo de DIFUSORES dos meus conteúdos...abriria contato com algumas centenas de pessoas bem posicionadas e ativas em certas redes sociais – Facebook, Twiter, como exemplos – e proporia um acordo que passe por:


a)-  Eu repasso meus conteúdos pra você e você os compartilha com exclusividade em sua região/cidade


b)- Você poderá me sugerir algumas pautas ou me pedir para levantar alguns assuntos do seu interesse dentro de determinadas condições


c)- Após seis meses deste acordo, sentaremos para negociar alguma remuneração para seu trabalho de divulgação


6ª)- Criaria um núcleo comercial baseado fortemente em inovação...Caberia a esse núcleo identificar  parceiros estratégicos que possam acompanhar meu serviço de notícias e aceitem dividir comigo seus resultados...


É bom prestar atenção em O Antagonista, o site de notícias que carrega alguns parceiros, como dois programas de orientação financeira (Empiricus e Inversa) e um programa de saúde (Jolivi)... Não se sabe qual a relação comercial existente entre eles, mas o que se observa é que  a publicidade dos parceiros envolve e cavalga a notícia, como no rádio...


Outra função desse núcleo seria observar a onda de inovações de publicidade disparada pelo desenvolvimento da internet e alimentar a comercialização com ideias e novos produtos...

Há alguns meses atrás eu mesmo, em artigo neste blog, escrevia sobre um vídeo (ver abaixo) que se pode encontrar no  Youtube, onde três dançarinos – duas moças e um rapaz -  bailavam ao som de uma música de Marília Mendonça, “Meu Cupido é Gari”... a dança terminava e os três se transformavam em modelos de uma grife, tudo muito agradável, inspirador e revelador das mil possibilidades da internet...


Banca de jornais e revista, símbolo de um mundo ameaçado...

Vídeo que sintetiza a capacidade da internet de dar vazão à criatividade...