28/09/2016

Velho Chico: autor perde-se na panfletagem!

        É como receber um impresso na rua: na frente, folhetim; no verso, panfleto.
        A novela que termina nesta semana no horário mais nobre da líder de audiência, a TV Globo, oscilou o tempo inteiro entre o bom e o ruim; o novelesco e o discurso; e o saldo que Velho Chico deixa é o de uma confusão dramática, de qualidade duvidosa.
        O panfleto não é a linguagem do folhetim e novela é o desenvolvimento, em capítulos, de histórias de amor, drama, paixão, crimes, mistérios, sem ligações diretas com política - folhetim!
        É o que sinto, como jornalista e telespectador.
        Coube à vida real trazer a dose extra de dramaticidade que faltou à trama: terrível mesmo foi  a morte prematura do ator Domingos Montagner por afogamento durante banho descontraído no rio São Francisco. Ele se foi e deixou em vida, traumatizada, sua companheira de passeio e seu par romântico na novela, Camila Pitanga.
        No papel de Santo dos Anjos, o líder de pequenos agricultores das margens do rio São Francisco, Montagner não havia escapado do panfleto. Exercia na família, em luta permanente contra o  Coronel Saruê (interpretado por Antônio Fagundes), o poder moderador para aplacar a ira de seu irmão Bento dos Anjos (Irandhir Santos), que parecia interpretar na trama o radical José Rainha, aquele mesmo, o líder do MST.
        Contra o radicalismo do irmão atacava com discursos pacifistas e um certo messianismo.
        Uma pena, porque Velho Chico tinha tudo para se transformar num ícone, uma referência da teledramaturgia brasileira. Se não, vejamos:

- Tinha um rio sinuoso a atravessar regiões desconhecidas do grande público e capazes de oferecer cenários ao mesmo tempo majestosos e deslumbrantes...

- O set de gravações tinha proximidade com o primeiro e único experimento bem sucedido no mundo  de agricultura sintrópica, colocada na trama por Ruy Barbosa, a  Fazenda Fugidos da Seca e hoje conhecida por Fazenda Olhos D’água, no sul da Bahia. (A agricultura sintrópica é um invento do suíço Enst Gots, que encontrou nessa área da Bahia a oportunidade de colocar na prática suas teorias)

-  Tinha, também nas margens do São Francisco, extensos pomares irrigados, com produção já consolidada, tudo para exportação pelo Nordeste brasileiro.

- Tinha, nas três fases da história, um elenco extraordinário, com atores e atrizes para encher de orgulho os brasileiros que apreciam a nossa teledramaturgia, com destaque para Rodrigo Santoro no papel de Afrânio de Sá Ribeiro (O coronel Saruê), na primeira fase,  e Selma Egrei, no papel de Encarnação de Sá Ribeiro (mãe do coronel Saruê), na segunda e última fase.

- Tinha uma equipe técnica de primeiro mundo, a concluir pelas imagens captadas e editadas, tanto externas quanto internas.

- Tinha, nas margens do rio, cultura regional e cidades históricas impressionantes e de encher os olhos.

- Tinha uma trama de bom folhetim com destaque para o reencontro de Maria Tereza (Camila Pitanga) com Santo dos  Anjos depois de 30 anos de afastamento forçado pelo coronel  Saruê.

        Tinha tudo isso e muito mais, mas o autor conseguiu jogar tudo na lata do lixo por querer fazer política em folhetim. Foi uma discurseira braba nas duas últimas semanas, insuportável, cansativa.
        Benedito Ruy Barbosa quis impor a defesa de causas e teses pelo panfleto, pelo discurso. Incrível, mas talvez ainda não tenha aprendido que, em novela, as mensagens de caráter político tem de ser passadas com sutileza, leveza, pela parábola,  pela metáfora, pela alegoria.
        Ficou claro que ele não sabe dessas coisas na cena dos últimos capítulos em que os personagens encarnados pelo protagonista Antônio Fagundes (Afrânio e Saruê) se enfrentam no terreno arenoso da foz do rio São Francisco em meio às torres de energia eólica. A cena pretendeu construir a velha metáfora de Dom Quixote brigando contra os moinhos de vento, mas foi longa, arrastada e chata.

SÓ DISCURSOS

        Nos últimos capítulos, todos, ou quase todos, os personagens discursaram:

- Dalva (Mariene de Castro), a linda mulata empregada na sede da fazenda do Coronel  Saruê, grita contra a escravidão, a discriminação racial e a dureza do trabalho.

- Ceci (Luci Pereira), mãe da professora Beatriz, grita contra o massacre de seus antepassados indígenas.

- Miguel (Gabriel Leone), o neto do  Saruê, grita contra o peso que carrega nas costas pelos crimes cometidos por sua família na colonização daquelas terras.

- O único a ter direito a fazer discurso seria o prefeito de Grotas, Raimundo (Saulo Laranjeira); explico:  Saulo é humorista e dos bons, mas a Globo o tirou da Praça é Nossa (SBT), onde interpretava com exuberância o típico político brasileiro, demagogo e corrupto, para lhe dar um papel menor em Velho Chico, onde  seu estrionismo também foi afogado.

- O inquieto e eloquente Bento dos Anjos (Irandhir de Souza) continua como a metralhadora giratória que sempre foi: ataca a agricultura química, a corrupção, o coronelismo, o latifúndio, etc. etc. etc..

- Beatriz (Dira Paes) é eleita prefeita de Grotas e continua seus discursos contra a agricultura química, o coronelismo, a opressão, quer dizer, só podia mesmo ser namorada de José  Rainha, perdão, de Bento dos Anjos.

        Talvez eu seja o único telespectador que ainda guarda frases e conteúdos da interminável “cantilena discursiva” de Velho Chico. E o fiz por dever profissional; não fosse por isso, já teria imitado todos os demais: esquecido! 

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Domingos Montagner, o Santo dos Anjos, morte por afogamento na vida real. Uma pena !



Tragédia de Mariana, o maior desastre ambiental do Brasil, ainda impune !

21/09/2016

Jornalista? Que bicho é esse?

        Foi no finalzinho de dezembro de 1992, há 23 anos, portanto, que eu vi pela televisão as cenas da novela ”De corpo e alma”, na TV Globo, em que o ator Guilherme de Pádua, interpretando o papel do jovem Bira, rompia o namoro com Yasmin, personagem de Daniella Perez. Foram cenas de tanto realismo que eu comentei, em família: de duas uma, esse rapaz ou é o melhor ator do Brasil ou é psicopata!
        Menos de uma semana depois,  surge a notícia estarrecedora: o ator Guilherme de Pádua assassinara a atriz Daniella Perez a tesouradas, na vida real.
        Cheguei a ficar preocupado comigo mesmo: será que eu tinha o poder de adivinhar o futuro? Refleti sobre isso e não demorei a concluir: eu não tinha nenhum poder sobrenatural, a não ser a capacidade de todo jornalista de interpretar rapidamente a índole das pessoas com as quais nos relacionamos ou temos condições de observar em algum ato, discurso ou ação.
        A prática ensina o médico a realizar cirurgias cada vez melhores e mais eficazes; a prática ensina o agrônomo a diagnosticar, cada vez com maior exatidão, qual a doença que ataca uma árvore ou uma plantação e a prática ensina o jornalista a perceber comportamentos capazes de revelar,  muitas vezes com sutileza, índole, caráter, agressividade ou  má intenção.
        Não é apenas isso: a prática – esse constante entrevistar, apurar, checar, destilar, preparar textos e notícias – faz do jornalista um ser que pode ter um monte de defeito, menos o daquelas pessoas que compram gato por lebre. O jornalista nunca vota errado, a menos que queira,  seja estúpido ou tenha algum interesse escuso.

LONGO TEMPO DE JANELA

        Tenho 45 anos de jornalismo diário nas costas. Isto corresponde a dizer que passei a minha vida a entrevistar pessoas – 10, 12 ou mais por dia – sempre em busca do contraditório, do “outro lado da informação”; e fui na maior parte desse tempo repórter da Geral, ou seja, um profissional que não cobria um assunto específico, mas se envolvia com a cobertura de todos eles – polícia, saúde, política, energia, transporte, urbanismo, esporte, pequena empresa, tecnologia, etc. etc. etc.
        Acompanhei a construção de Itaipu do começo ao fim (75 a 82); cobri as duas enchentes arrasadoras de Santa Catarina (83 e 85); viajei de carro mais de 15 mil quilômetros para tentar encontrar o boi gordo que desaparecera dos açougues em 1986; cobri a extinção do BNH em 1971 e fiz inúmeras reportagens sobre a máfia das intervenções extrajudiciais...Viajei no trem da fome de Ponta Grossa (PR) a Ourinhos (SP), assisti impotente ao desaparecimento de 7 Quedas (1982). O que mais?
        Sei dizer, portanto,  quando uma notícia que vejo na TV foi bem ou mal apurada, se é falsa ou verdadeira, se é coerente ou pouco razoável, etc. etc.
        Lembro-me do caso do Amarildo de Souza, servente de pedreiro assassinado com extrema crueldade na Favela da Rocinha, no RJ, em julho de 2013; a polícia tentou vender a ocorrência  como crime em família. Percebi de bate-pronto tratar-se de fraude.
        Demorou algum tempo, mas a farsa foi descoberta: a justiça condenou 12 de 25 policiais militares indiciados pelos crimes de tortura seguida de assassinato, ocultação de cadáver e fraude processual.

CASO ISABELLA NARDONI

        Essa perspicácia, ou, digamos, “esse faro jornalístico”, me leva, por exemplo,  a duvidar das versões dadas pela polícia para o assassinato da pequena Isabella Nardoni, menina de 5 anos de idade, atirada pela janela do sexto andar de um prédio, em São Paulo, depois de sofrer alguma violência, em março de 2008. Seus pais, a madrasta Anna Carolina e  o pai Alexandre Nardoni, estão presos condenados que foram pelo crime.
        Para mim, como jornalista experimentado, o crime ainda guarda muitos mistérios que, provavelmente, jamais serão esclarecidos. Por exemplo: o policial que primeiro chegou ao local onde o corpo da menina foi encontrado, suicidou-se alguns meses depois. Seu nome apareceu na lista de pessoas envolvidas numa rede internacional de pedofilia. O pai da menina chegou ao local onde sua filha jazia aos gritos de “tem um homem no apartamento, tem um homem lá em cima...”
        Como nunca me envolvi na apuração do caso da menina Nardoni, não posso afirmar que o suicídio seja a chave do crime, mas, pra variar, a imprensa passou batido sobre essa possibilidade.
        Também no caso da menina Nardoni, a imprensa concluiu muito e apurou pouco. Digo “também” porque é raro nos últimos anos que a imprensa tenha esgotado um assunto na mesma intensidade e amplitude  com que fazíamos na minha época de reportagem.
        A cobertura do Caso PC Farias, a cobertura do mensalão, entre muitas outras, importantes, foi incompleta, frágil, negligente.
        Os bons repórteres custam caro e viram apresentadores ou analistas na televisão – William Waack, Miriam Leitão, Carlos Nascimento, Carlos Monforte, Eliane Cantanhede, entre muitos outros – ou migram para sites e blogs que ainda não conseguem pagar por um  jornalismo de qualidade.

"MÍDIA GOLPISTA"

        Lula e Dilma se queixam da “mídia golpista” mas no fundo sabem que se a mídia tivesse o mesmo poder de fogo de outrora teriam sido varridos do poder há muito mais tempo. Repórteres a serviço de um jornal com recursos para bancar apuração, investigação e checagem de informações podem ser armas de defesa dos interesses da sociedade mais poderosas que a Lava Jato; que o diga a redação do Washington Post, responsável pela derrubada de Richard Nixon da presidência dos EUA.
        Esse prólogo serve também para eu dizer que, como jornalista, sei que tudo aquilo que o procurador Deltan Dalagnol disse a respeito de Lula é verdadeiro. É só uma questão de tempo para que todos descubram que é mesmo!
        Tenho informações privilegiadas? Não, nenhuma. A vantagem de um jornalista, além de saber quando Lula mente e quando diz a verdade, é a de juntar pontos e vírgulas, juntar fatos do presente e do passado e depois ligar tudo pelo raciocínio, costurar as informações, formar com elas um só tecido, orgânico, lógico, coerente.
        Ah, se tivesse alguém disposto a apostar... 

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Daniella Perez e Isabella Nardoni

Obras de Itaipu

Sete Quedas

Enchente em Sta. Catarina

Catástrofe de Mariana 



14/09/2016

MÉRITOS ESCASSOS DO PT

        Ao retornar do exílio em 1976, o antropólogo Darcy Ribeiro, talvez o último intelectual realmente de esquerda deste país, disse, em entrevista, que no Brasil as elites nunca permitiram que se desse, de graça, um só palmo de terra para quem quisesse trabalhar.
         “Nos Estados Unidos, comparou ele, na fase da colonização, aqueles homens que conseguiam se manter na terra, defendendo-a do ataque de índios e outros invasores, recebiam mais tarde o titulo de propriedade do governo”.
        Em 12 anos, o PT não conseguiu derrubar “esse paradigma”. Até o lote da reforma agrária é vendido; é pago em suaves prestações, mas não vai de graça.
        Aliás, o PT fez menos Reforma Agrária em 12 anos que FHC em oito. Os números estão no Google, ali reunidos pelo Grupo de Estudos Americanista Cipriano Barata: Dilma Rousseff desapropriou 186 imóveis, num total de 342.503 hectares, incorporou 2.540.772 hectares à reforma agrária e assentou 75.335 famílias. É um resultado pífio quando os números são comparados com os governos Lula (1.987 imóveis, 48.291.182 hectares e 614.088 famílias assentadas) e Fernando Henrique Cardoso (3.539 imóveis, 21.129.935 hectares e 540.704 famílias assentadas).”
        Além de fazer menos reforma agrária que o PSDB, o PT permitiu que a concentração fundiária continuasse a galope. Dilma, ao que parece, tinha um acerto de bastidor com o agronegócio: nomeou a presidente da CNA – Confederação Nacional da Agricultura – Katia Abreu, sua ministra da Agricultura e deixou o seu ministro do Desenvolvimento Agrário, o esquerdola Patrus Ananias, a ver navios. Enquanto Ananias Pregava a derrubada das cercas do latifúndio, Katia Abreu dizia que nem latifúndio existe mais no Brasil.
        No Governo Lula, de 2003 a 2010, as grandes propriedades saltaram de 214, 8 milhões para nada menos de 318 milhões de hectares, ou seja, um aumento de 114 milhões de hectares em menos de oito anos. E o MST falava grosso e já ameaçava incendiar o país.

APROVEITAR HERANÇAS

        Embora o PT, muitas vezes, finge que faz mas não faz, como no caso da reforma agrária, não podemos imitá-lo no que ele tem de pior – negar heranças positivas de governos anteriores.
        Aquilo que o PT nos deixa de bom, tem de ser continuado, incorporado pela sociedade,  sem a preocupação de que digam “isso é coisa deles, dos petistas”.
        Apesar da roubalheira, do descalabro administrativo, o PT  nos deixa muitas coisas decentes e importantes, a começar pela preocupação em ampliar as políticas de combate à fome e oferecer um pé de apoio às famílias atiradas com crueldade na vala  da miséria absoluta.
        Pensado pelo PT, inicialmente, como um mecanismo  eleitoreiro, o Bolsa Família pode ser entendido hoje como um instrumento efetivo de promoção social.
        A reação ao programa sempre foi muito forte por aqueles que não suportam a ideia que uma família pode ganhar um pequeno soldo mensal sem trabalhar.
        Quem se aferra à ideia de que só o trabalho merece remuneração, nunca enxergou o movimento, forte, que chegou a ultrapassar três milhões de pessoas cadastradas que se afastaram, voluntariamente, do Bolsa Família por entender que já haviam superado a condição de miséria extrema.
        Fez bem o PT em manter o programa a ferro e fogo até que, ao que parece, fosse apropriado pela sociedade.

MAIS MÉDICOS

        Outra boa herança, surgida recentemente no governo Dilma Rousseff, está na ideia de suprir na rede pública a falta de médicos em regiões inóspitas através da contratação de profissionais de qualquer parte do mundo.
        Houve e continua a haver forte reação corporativista à ideia e, presumivelmente, se não fosse a determinação petista, teria morrido antes de germinar.
        A reação é compreensível: o ensino da Medicina no Brasil passa por já antigo desvirtuamento, visível pelo excesso de especialização e pela falta de médicos generalistas. Na grande maioria, os jovens correm atrás do diploma pensando em ganhar dinheiro.
        Com o diploma na mão, se concentram nas cidades mais ricas. Não querem se aventurar, deixar a zona de conforto.
        Que venham de Cuba ou da Eritréia, o importante é que aceitem residir e trabalhar nos confins do Brasil. Dentro desse espírito, apoio e sempre apoiarei o Mais Médicos, sem achar, é claro, que isto seria suficiente para manter Dilma  Rousseff no cargo.

ACESSO À UNIVERSIDADE

        Outra herança positiva do PT é o regime de cotas – raciais e sociais – para ingresso nas universidades públicas.
        Ainda em 1997, segundo dados do Ministério da Educação, apenas 2,2% de pardos e 1,8% de negros entre 18 e 24 anos cursavam ou tinham concluído uma universidade no Brasil. Essa realidade sempre foi conhecida pelas elites dos partidos, mas todos pareciam presos à teoria do mérito, ou seja, as universidades estão aí, tenha mérito e entre.
        Isto é algo parecido com a reação de quem desaprova o Bolsa Família: “Dinheiro, só para quem trabalha; acesso à universidade só para quem tem mérito”.
        O PT enfrentou as reações e implantou a lei das cotas em 2012. Segundo o Movimento Consciência Negra, em 3 anos, 150 mil negros ingressaram em universidades pelo regime de cotas.
        Hoje, já se diz que o regime de cotas deu certo no Brasil.

POLÍTICAS INDÍGENAS

        É preciso, entretanto, muito cuidado com a mentira e empulhação na hora de contar os méritos do PT.
        O partido sempre passou a ideia, por exemplo, de que foi imbatível na demarcação de terras indígenas.
        Fernando Henrique Cardozo desmentiu essa versão em artigo no Facebook em junho de 2013: seu governo demarcou 35,3 milhões de hectares, contra apenas 13,3  milhões demarcados por Lula e apenas 6 milhões demarcados por Dilma Rousseff, até então.
        Mais de dois anos após  publicado, o artigo de FHC não foi desmentido.
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05/09/2016

As torcidas organizadas do PT

        Faz mais de quinze anos que, num sábado ensolarado, eu, meu filho Edu e um seu amigo, Edinho, todos corintianos, fomos a Ribeirão Preto (SP) assistir a um Corinthians versus Botafogo.
        Nosso time jogou bem, bateu o adversário por três a zero. Terminada a partida, pra comemorar, demos uma esticada até o centro da cidade a fim de tomar um chopinho bem tirado na choperia mais famosa do país, o Pinguim.
        Chegamos ainda de dia, já havia ali algumas mesas ocupadas por adversários em lamentação.
        De repente, o quase silêncio foi quebrado pela chegada de três ônibus, dos quais - enxergávamos pela vidraça – desciam corintianos atrás de corintianos em incontida algazarra. 

        Não demorou muito e ouvimos o coro gigantesco que entrava em bloco no espaço da choperia entoando, a todos os pulmões:

- Tá dominado, tá dominado, o Pinguim tá dominado ! Tá dominado, tá dominado, o Pinguim tá dominado!


        E repetiam e repetiam o bordão  como se fosse um hino de guerra ! Batiam os pés no chão fazendo tremer as paredes !
        Para Edu e Edinho, ambos paramentados com a camisa do Timão (como é chamado, carinhosamente, o Corinthians por seus torcedores) foi um espetáculo bonito de se ver! Eu mesmo fiquei dividido entre a admiração e o medo!
         A primeira preocupação foi bater os olhos na minha roupa – camisa, calça e sapato – para ver se não encontrava algum elemento verde,  detestada pelos corintianos fanáticos por ser a cor de nosso maior adversário, o Palmeiras. Não, não tinha, até porque o verde não é minha cor preferida, exceto na paisagem. Fiquei mais tranquilo, voltei a me concentrar no chope enquanto os torcedores do time adversário se apressavam em pagar a conta e bater em retirada... Seu “território” acabara de ser “tomado de assalto”...
        O Pinguim foi mesmo dominado pela turba de mais de duzentas pessoas que não parava de gritar e entoar novos hinos em homenagem ao Timão...
        Passado o impacto da novidade, nós também nos apressamos em pagar a conta e iniciar a viagem de volta ! O convívio com aquela turba de fanáticos não é dos mais agradáveis... Falam alto e os cânticos asfixiam o ambiente e perdem o encanto pela insistência e pelo volume...

 FANATISMO VISTO DE BEM PERTO
        Em 1973, pelo Estadão, como repórter, eu havia trabalhado na cobertura das comemorações da conquista de um primeiro turno do Campeonato Paulista. Ganhamos  apenas meio campeonato, mas comemoramos como se fosse a quebra do longo jejum de títulos (período compreendido ente 1954 a 1977) que o Corinthians enfrentou e que duraria ainda mais alguns anos para ser interrompido...
        É, digamos, inacreditável o rol de histórias absurdas que consegui levantar: depois da partida final, no Pacaembu, um grupo de 50 a 60 torcedores agarrou-se ao ônibus ocupado pelos jogadores com o propósito de levá-lo, no braço, até o Parque São Jorge, antiga sede do clube, a cerca de 15 quilômetros .
        Houve de tudo naquelas comemorações que tiveram início com o arremesso de rádios de pilha para dentro do gramado; depois da partida, foram encontrados 71 rádios de pilha nos gramados do Pacaembu.
        Pelo menos uma dúzia de fanáticos fazia, de joelhos, o percurso do perímetro do gramado, uma, duas ou 50 vezes, a depender da promessa de cada um... No Parque São Jorge, dois malucos subiram no mastro da bandeira em frente ao clube e tiveram de chamar os bombeiros para retirá-los dali a salvo...
        Falei com inúmeras pessoas que se separaram no casamento porque as mulheres tentavam impedir que viajassem para acompanhar o time onde quer que fosse... Meu companheiro no levantamento era o dono de uma avícola em São Caetano do Sul, Jair, que punha bandeirinha do Corinthians em cada perna de todo passarinho que vendia em sua loja – canários, periquitos, pintassilgos, sabiás. Foi ele que me levou para  os lugares – sede da Gaviões da Fiel, totalmente depredada pelos corintianos em festa, para o Parque São Jorge, etc – e o fez com a devoção de quem cumpria uma tarefa designada por Deus.
        Meu medo, tempos depois, na invasão do Pinguim, era, portanto, justificado, ou seja, o fanático não sabe o que faz... se ele for com a sua cara, muito que bem, se  não for, ele o agride sem tempo de qualquer comiseração...
        Acho que o fanatismo está presente na torcida de todos os grandes times de futebol e as torcidas organizadas são o espaço para o “livre exercício do fanatismo” em seu esplendor. Gaviões da Fiel, Mancha Verde, Raça Rubro-Negra, Independente, etc, são concentrações de jovens e velhos, mulheres e homens, que já não se importam mais com o futebol ... Há muito tempo não torcem mais pelo futebol ...Torcem pelo clube, pela camisa e outros símbolos ... E ai de quem atravessar-lhes o caminho...
        Não gosto e tenho medo de todo fanatismo... e há, além dessas mencionadas, muitas outras razões para temer. Eu era frequentador de estádios desde a época em que as torcidas se misturavam nas arquibancadas...

IGUALZINHO AO PT
        Mas o que são essas pessoas que se vestem de vermelho e ameaçam incendiar o País se não as torcidas organizadas do PT?
        Pessoas que já não brigam mais por uma causa, uma ideologia, um motivo justo. São os fanáticos do PT.
        A ação dessa gente se basta na afronta, na ação pela ação, na coragem, na vibração!
        - Você viu aquela avenida que interrompemos, a quantidade de pneus que queimamos, você viu o estrago que fizemos? – devem ser as perguntas que se fazem após mais uma arruaça.
        Nunca pude imaginar que o PT se transformaria nisso, num partido liderado por ladrões, por saqueadores, cujo aparato de guerra é um bando de arruaceiros e fanáticos !
        São capazes até de se matar e de matar para defender o mandato da “Presidenta” sem nunca se perguntar:

- o que aconteceu de fato na negociata de Pasadena ?

- na construção da Abreu e Lima ?

- na nomeação da ladra Erenice Guerra para ministra da Casa Civil do governo Dilma ?

- na aliança com Paulo Bernardo que roubou dinheiro de aposentados ?

- na aliança com Gleise Hoffman chamada de “Princesinha da Propina” ?

- na Aliança com Lindberg Farias, o senador abjeto ?

- por que as principais lideranças do partido estão presas em Curitiba ?

- por que o “o homem de Ouro” do partido—Zé Dirceu—voltou para a prisão e cumpre pena pesada ?

- por que o líder máximo do partido esconde que é proprietário do sítio em Atibaia e de um apartamento triplex no Guarujá ?

- por que o partido liderou o saque monstruoso à Petrobras ?

- quem matou o prefeito de Campinas, o Toninho do PT ?

- quem matou o prefeito Celso Daniel, de Santo André, e, atrás dele, outras sete pessoas ?

Estas, entre dezenas, centenas e talvez milhares de outras  perguntas, os brasileiros fazem pelas redes sociais e todas elas ficam no vazio sem merecer uma só resposta a não ser a eterna baboseira também chamada de “engana trouxa” ou  “engana fanático”...

TRISTEZA SEM FIM
        É triste ver tantos jovens ou pessoas de bem sendo engolidos e fanatizados por essa quadrilha em que se transformou o partido dos trabalhadores...
        É triste ver um ídolo da grandeza de Chico Buarque de Holanda aparecer na televisão com cara de paisagem para assistir ao Impeachment  sem nunca ter dado uma só explicação por ter emprestado seu nome à defesa de tantas e tantas mazelas.
        Aos poucos o país começa a entender porque não recebe nenhuma resposta minimamente razoável a perguntas que ficam no ar...Porque os fanáticos não precisam e não querem respostas coerentes...querem apenas palavras de ordem, hinos de guerra, vozes de comando que os levem a  ruas e praças ! E isso é o que seu grande líder mais sabe fazer ! A voz de comando já foi dada em discurso que sucedeu ao seu depoimento sob coação...
        Num próximo artigo, escreverei sobre o fermento que o Brasil e suas elites sempre ofereceram para fazer germinar tanto fanatismo!



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