01/08/2017

Uma bomba na Adutora do Guandu. É Jair Bolsonaro em ação! (2)

        Das novas gerações, poucas pessoas sabem que o deputado Jair “Messias” Bolsonaro, do PSC, já foi protagonista de um “Caso Para-Sar” às avessas! Digo às avessas porque no legítimo Caso Para-Sar, ocorrido em 1968, o herói foi um paraquedista de elite das Forças Armadas, o capitão Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho, e o vilão foi o brigadeiro João Paulo Burnier; e nesse caso invertido, acontecido em 1986, o vilão foi um paraquedista (Jair Messias Bolsonaro) e o herói, ou melhor, a heroína, foi a jornalista Cássia Maria, de Veja...

        Heróis, nos dois casos, foram pessoas que tiveram a decência e a coragem de delatar os planos, diabólicos e sinistros, antes que fossem executados...

        Para entender o “Caso Para-Sar”, é preciso voltar no tempo algumas décadas. Instaurada em 1964, a Ditadura Militar já era confrontada, menos de quatro anos depois, por uma série de movimentos, entre os quais a Frente Ampla, liderada pelo ex-governador do Rio, Carlos Lacerda, e pela grande capacidade mobilizadora da UNE- União Nacional dos Estudantes, que já em julho de 1968 conseguira organizar a famosa Passeata dos 100 Mil, no Rio de Janeiro.

        Nas casernas, as manifestações e os protestos despertaram a ira da direita radical, pequena, mas ativa...

        Eis que surge um brigadeiro – uma das mais altas patentes da Aeronáutica – com um plano para levar o regime a um endurecimento total e assim conter o avanço da “subversão”.

        O plano tinha duas fases, uma primeira consistiria na explosão de várias bombas em pontos estratégicos (gasômetro, vias públicas, ajuntamento de pessoas, pois a lógica era “quanto mais gente morrer, melhor”)!

        Na segunda fase, seriam eliminados (isso mesmo, assassinados!) políticos influentes como Carlos Lacerda, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros... Havia uma lista de 40 políticos! O objetivo era um só: produzir pânico e consternação para justificar um truculento fechamento do regime.

        E todos os atentados seriam atribuídos aos “comunistas”!

        O plano era a sério, mas o que o seu autor, o brigadeiro João Paulo Burnier, já envolvido em casos anteriores de suprema insubordinação, não levou em conta é que no comando do Para-Sar – tropa de elite, à qual fora reservada a missão de executar o plano – havia um homem sensato e corajoso, Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho, que não permitiu que seus homens operassem aquela insanidade!

        O tempo demonstrou que o brigadeiro Burnier, além de insano, não era nada inteligente. Dali a poucos meses, ainda no governo claudicante do General Costa e Silva, é instaurado o Ato Institucional de número 5 (o famoso AI-5) e faz o país mergulhar no que é chamado de Anos de Chumbo, criando, sem apertar o gatilho uma só vez, o clima que Burnier tentava produzir com bombas e assassinatos...

MALUQUICE EM DOSE MENOR

        Vamos chamar o episódio no qual se envolveu Jair “Messias” Bolsonaro de “Parasarzinho”, vai!

        Os tempos eram bem outros! Tancredo Neves já estava morto e seu vice, o maranhense José Sarney, ocupava a Presidência da República na condição de primeiro Civil a governar o País depois da série de governos militares...

        E o Ministro do Exército do governo Sarney era o general Leônidas Pires Gonçalves!

        Pois bem, nosso vilão nessa época não passava de um discreto capitão do 8º Grupo de Artilharia de Campanha Paraquedista do Exército...

        O clima era efervescente nas casernas... O salário dos militares estava muito comprimido e a insatisfação se espalhava...

        O capitão Messias Bolsonaro, que bobo nunca foi, percebeu a oportunidade de sair do anonimato: jogou a disciplina e a hierarquia militar na lata do lixo e escreveu um artigo para a revista Veja relatando o clima de insatisfação dos quarteis.

        No artigo, começava por explicar que a evasão de cadetes das academias militares não era causada, ao contrário do que a imprensa informava, por homossexualismo, consumo de drogas ou falta de vocação para a carreira militar, e sim pelos baixos salários... E por aí foi... Teria sido até um bom artigo não fosse escrito por um oficial que tem por dever respeitar a disciplina e a Ética das Armas que servia.

        O artigo causou grande estupefação: imaginem o que aconteceria ao país se todos os militares das três Armas fossem usar a mídia externa para relatar os seus problemas?

        Mas o Messias Bolsonaro não se deu por satisfeito: em parceria com outro capitão do mesmo corpo de Paraquedistas, Fábio Passos, apresentou à repórter de Veja, Cássia Maria,  um plano para explodir quarteis e a Adutora do Guandu, no Rio de Janeiro.

        Entregou à repórter inclusive um croqui que ele desenhara de próprio punho apontando os pontos da adutora onde as bombas explodiriam... Bolsonaro e seu parceiro da maluquice haviam selado um acordo de sigilo com a repórter... Também não contaram com o espírito de cidadania da moça que, civilizadamente, publicou todo o material que lhe fora entregue e assim fez abortar a maluquice...

        O plano teve até nome: “Operação Beco sem Saída”. Seria posto em prática caso o Exército não reajustasse o salário da tropa...

        O STM – Superior Tribunal Militar abriu inquérito para apurar ambos os casos... Pelo artigo em Veja, de autoria irrefutável, por ter “ferido a Ética e cometido transgressão grave”, Messias Bolsonaro levou 15 dias de prisão...

        No caso da Operação Beco sem Saída, ambos os militares foram absolvidos, o que não impediu que os três coronéis que comandaram o inquérito afirmassem que Bolsonaro e Passos “mentiram durante todo o processo”...

O VAI E VEM DO MESSIAS
       
        Os coronéis do Conselho de Justificação do STM parecem ter acertado em cheio ao classificar o hoje pré-candidato a presidente da República como “mentiroso”! Quem toma conhecimento de sua trajetória política vê um político sem coerência...Messias Bolsonaro se parece  com um daqueles parafusos feitos com material mole, sem têmpera – apertou, a rosca espana!

        Em 1986, idealizou sim um plano para soltar bombas; apertado pelo STM, negou tudo e disse que iria explodir algumas espoletas!

        Agora mesmo, sob ameaça de perder o mandato de deputado por ter exaltado a tortura, nega que a tenha exaltado!

        Oportunista, sabe que seu ídolo no Brasil, o Coronel Brilhante Ustra, é parecido com o general chileno Augusto Pinochet! Ambos usaram os mesmos métodos para combater oposições...

        Ao perceber, em 1986, que a imagem de Pinochet, dadas as atrocidades que cometia no Chile, estava mais suja que pau de galinheiro no Brasil e querendo atingir o Ministro do Exército, general Leônidas Pires Gonçalves, declarou a Veja: “O Exército é uma vergonha! E o ministro Leônidas é um segundo Pinochet!”
       
        Messias Bolsonaro tem também uma péssima interpretação do dado político! A efervescência nos quarteis seria suficiente para pressionar o governo de Sarney a fazer o que fez – aplicou 95% de aumento ao salário das três Armas...

        O artigo em Veja e o plano terrorista de Messias Bolsonaro tiveram peso quase zero na decisão de governo! E o homem que se diz em condições de comandar o Brasil não soube enxergar isso – preferiu o caminho da violência ou da demagogia, não se sabe!






2 comentários:

  1. Chora esquerdalha. Ele virá e vai ser contudo

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  2. Ô anônimo, seja lá quem for você, saiba que você está enganado nas duas coisas que diz: eu detesto essa "esquerdalha" talvez mais que você; e o seu candidato não "virá aí" não senhor, isso é delírio seu...outra coisa, esse seu "contudo" não é assim que se escreve;; o certo, nesse caso, é "com tudo"..além de imbecil, analfabeto...

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