24/11/2017

ZÉ DIRCEU E TANURE, UMA DUPLA DO BARULHO NA AGONIA DA GAZETA MERCANTIL

        É verdade que a empresa que ele recebeu já era um bagaço, mas não precisou nem de sete anos para transformá-la em pó...

        Foi o controlador Luiz Fernando Levy, falecido neste outubro de 2017, que produziu o bagaço e foi Nelson Tanure que transformou em pó toda a história, majestosa, de quase 90 anos, do jornal Gazeta Mercantil – o principal de economia, finanças e negócios da América Latina e um dos sete melhores do mundo, segundo a revista Fortune (EUA)...

        Mereciam um troféu cada um. O primeiro por “suprema incompetência administrativa” e o segundo pela “esperteza salafrária”, tudo o que se pode dizer, hoje, da passagem do empresário Nelson Tanure pela Gazeta Mercantil...

        A agonia da Gazeta Mercantil começou exatamente no dia 15 de setembro de 2001, com o ataque de Bin Laden às Torres Gêmeas de Nova Iorque... O mercado brasileiro de publicidade entrou em recessão e a Gazeta, inchada, sem nenhuma reserva de caixa, iria amargar pelo menos seis meses sem a entrada de anúncios pagos...

        A inanição do caixa iria provocar um desarranjo de tal monta na estrutura de porte nacional da empresa que em menos de três anos já lembrava um organismo abatido e abandonado ao sol do deserto...

        Pronto, estava criado o “aroma” que atrai empresários do tipo de Nelson Tanure, chamados de “abutres” pelo mercado – só se interessam por empresas falimentares e têm uma metodologia especial para ganhar dinheiro nessas situações...

MUITO E MUITO LUCRO

        Os números são imprecisos, pois a gestão Tanure teve índice zero de transparência, mas não seria nenhum exagero dizer que o abutre, ao abandonar a Gazeta em maio de 2009, estava meio bilhão de reais mais rico do que quando obteve, em 2003, através de um processo de chantagem, coação  e mentiras, o arrendamento da marca Gazeta Mercantil por 60 anos...

        Basta observar que ele produziu uma redução brutal na folha de pagamento – uma folha que já custara mais de 200 milhões de reais/ano durante a gestão Levy e que na fase de Tanure, tendo em vista que ele, como prometera, não trabalhou com CLT, caiu para menos de 20 milhões/ano...

        Levou ao extremo a cultura do “não pagar”, sequer reembolsava despesas de viagem, trabalhou todo tempo de costas viradas para as leis do país – trabalhistas, tributárias, previdenciárias...

        Dava a todo instante o drible da vaca em Levy e não cumpriu sequer um terço dos compromissos que assumiu pelo contrato de arrendamento...

        Até onde se sabe,  deixou de receber as verbas da publicidade legal (publicação de balanços, editais e atas exigida por lei no caso das empresas de capital aberto) das empresas estatais – cerca de 20 milhões/ano – porque os credores em ações trabalhistas as interceptaram na boca do caixa.

        Mas isto não fez falta, por certo... Mesmo tendo perdido, em função da crise, uma fatia razoável da publicidade legal, a Gazeta continuou a oferecer ao gestor a generosa receita de cerca de 100 milhões de reais/ano vinda da publicação de balanços e editais pela iniciativa privada... Eram valores mais do que suficientes para o abutre saciar a fome e  tocar a sua gestão, medíocre, mas altamente lucrativa...

AVAL DO PT

        A gestão Tanure foi a excrecência da excrecência do capitalismo. E serve para demonstrar o quanto foi falsa e demagógica a Era PT.

        Ela, a gestão Tanure, nasceu e terminou no governo de Luiz Ignácio Lula da Silva (2003 a 2011). Tanure anunciou diante de mais de duzentas testemunhas que não trabalharia com CLT... Prometeu e cumpriu, sem ser incomodado por um governo que tinha raízes profundas no trabalhismo...

        Além disso, Tanure foi o herdeiro e sucessor legal de Luiz Fernando Levy, que havia acumulado uma dívida portentosa com todas as instituições do governo – fiscais e previdenciárias... Levy chegou a dizer, publicamente, que o governo era o grande financiador do projeto de expansão de sua empresa, já que não pagava seus compromissos com instituições governamentais...

        Tanure passou sete anos à frente da Gazeta Mercantil e, simplesmente, deu continuidade à afronta sem ser incomodado...

        E o que é pior: representado pelo mais importante de seus ministros, o então poderoso Zé Dirceu, o governo Lula avalizou a gestão Tanure. Zé Dirceu comparecia a eventos promovidos pela Gazeta Mercantil e, como farinha do mesmo saco, tornou-se amigo de Nelson Tanure.

        Diria que tinham grandes afinidades no mundo dos negócios.

        Afastado do governo por envolvimento no escândalo do mensalão, foi Zé Dirceu – então como “consultor empresarial” – quem apresentou Tanure ao dono da Editora Três, Domingo Alzugaray (falecido em junho deste 2017)... Não por acaso, a Editora Três – proprietária da Revista Isto É – já disparava também aquele aroma típico de uma empresa falimentar, forte atração para abutres do tipo de Nelson Tanure...

        Tendo o “consultor” Zé Dirceu como intermediário, Tanure entrou em negociação com Alzugaray. Já deveria ter tudo planejado: aplicaria à Editora Três o mesmo formato empregado no “arrendamento” da Gazeta...

        Mais esperto que Levy, Alzugaray pulou para trás na última hora. Aproveitou e pediu ajuda ao “consultor-intermediário” para sair da crise... Pediu e conseguiu... A crise da Editora simplesmente evaporou... E onde será que Zé Dirceu foi arranjar dinheiro pra socorrer Alzugaray ?

        Não se sabe ao certo, mas duas coisas ficaram evidentes nessa época: Zé Dirceu começou a mandar na “Isto É” bem mais que o próprio dono e, mesmo após seu afastamento do governo, sua influência nele era enorme... Quem apostar que Alzugaray obteve socorro num dos bancos governamentais terá grande chance de acertar.

......    .......    ......    .......   ......

RECOLHIDO NOS FÓRUNS

        Depois de arrendar a marca de seu jornal a Nelson Tanure, Luiz Fernando Levy achou que poderia manter de pé, cheios de vida, os dois Fóruns de Líderes – o de Líderes Empresariais e o de Líderes Sociais – mesmo sem o apoio que sempre receberam da Gazeta Mercantil.

        Bem antes de morrer, em outubro deste 2017, deve ter descoberto – ou pelo menos suspeitado – de que este era mais um de seus delírios: com a crise que abalou o jornal, os Fóruns estremeceram; com a continuidade da crise, começaram a definhar e, quando em maio de 2009, a Gazeta deixou de circular, os Fóruns morreram. E eu já não estava mais lá, nem pra chorar, nem pra lamentar...

        Quando, em 2004, aceitei o convite de Levy para dirigir o Fórum de Líderes Sociais, o outro Fórum, o de Líderes Empresariais, funcionava em Belo Horizonte. Suas atividades – a organização de eventos e a edição de uma revista, trimestral – foram levadas para Minas Gerais para facilitar a vida do seu então presidente, o economista e pensador Lucio Marcos Bemquerer.

        O Fórum Empresarial, conhecido pela sigla FLE, já fora uma entidade importante. Aglutinava sempre a nata da nata do empresariado brasileiro. Nomes como Antônio Ermírio de Moraes, Abílio Diniz, Cláudio Bardella, Jorge Gerdau Johampeter, José Mindlin, Luiz Fernando Furlan, Olavo Egydio Setubal, Rinaldo Campos Soares se mantiveram em seu Conselho Consultivo até os últimos dias.

        Na década de 1970, os conselheiros do FLE redigiram um documento em favor da democracia que impactou o processo de abertura política do regime militar.

        Hermann Wever, o presidente da paulistana Siemens do Brasil, substituiu Lucio Bemquerer na presidência mas ainda assim as atividades do Fórum se mantiveram em Belo Horizonte.

        Nelson Tanure já imperava na Gazeta e o jornal reduzia, substancialmente, sua ligação com os fóruns, enquanto os conflitos entre Levy e o novo gestor do jornal aumentavam. Aos poucos, Tanure radicalizava a sua “cultura do não pagar”.

        Talvez fosse apenas paranoia, mas Levy começou a temer que lhe aplicassem um golpe e tomassem dele também a gestão dos Fóruns. Agiu rápido: destituiu Hermann Wever do Cargo e nomeou o então presidente da Serasa, Elcio Anibal de Lucca... (na fase terminal do Fórum e da Gazeta, Elcio seria substituído por Ozires Silva)...

        Em seguida, trouxe as atividades do FLE para São Paulo: queria estar perto de tudo para se sentir confiante...

        Entregou-me a edição (mensalizada) da revista Fórum de Líderes como atividade paralela à direção do Fórum de Líderes Sociais... Acertamos, claramente, mais uma remuneração pela nova atividade... Deixei claro para ele que mesmo somando as duas remunerações não atingia o salário que eu estaria recebendo pela Gazeta Mercantil.

ENFIM, UMA ATIVIDADE AGRADÁVEL

        A edição da Revista Fórum de Líderes foi das poucas atividades que me deram prazer nos meus oito anos de Gazeta Mercantil. Fiz entrevistas e editei reportagens memoráveis...

        Fui talvez um dos primeiros jornalistas a entrevistar Roberto Rodrigues, tão logo renunciou ao Ministério da Agricultura... Produzimos um claro entendimento das razões que o levaram a deixar o governo Lula e avançamos em informações que permitiram prever o boom do agronegócio que o país passaria a viver em seguida...

        Entrevistei Roberto Romano, professor e filósofo da Unicamp, que previu a imersão do Brasil na avassaladora crise Ética dos dias atuais... A meu pedido, a jornalista  Ruth  Helena Ballinghini, especializada em Ciência, fez uma entrevista de impacto com a geneticista Mayana Zats com explicações didáticas sobre a diferença entre células-tronco e células-tronco embrionárias, compreensão capital para o entendimento dos avanços do uso da genética  em tratamento de doenças crônicas e lesões medulares...

        Na primeira edição da nova fase, a revista publicou extensa reportagem, produzida pelo jornalista Lucas Tavares, então residente em Santiago, sobre a enigmática vitalidade da economia chilena... Lucas ouviu praticamente todos os mais expressivos economistas chilenos, inclusive vários dos Chicago’s Boys, como eram chamados os jovens egressos da Universidade de Chicago, que sob o mando do tenebroso Augusto Pinochet, impuseram ao Chile uma experiência radical da teoria neoliberalista... Se foi guardada  em alguma biblioteca, essa revista deve ser fonte obrigatória de consulta a quem quiser entender porque o Chile tem dado tão certo...

DOIS GRANDES ARTISTAS

        Foi também durante o trabalho de edição da Fórum de Líderes que eu conheci e aprendi a admirar Jô Acs e Mozart Acs, pai e filho, dois artistas gráficos simplesmente geniais. Eles me foram apresentados pelo amigo Antonio Carlos Baumann e me acompanharam do começo ao fim da jornada pelo Fórum...

        Aprendi com eles que arte gráfica em revista e internet é coisa especializada e séria... Por mais ferramentas de ajuda que a internet nos oferece hoje em dia, não se deve improvisar... Um site e uma revista feitos por amador, terão sempre cara de amador...

        Lembro-me que Levy era sempre tomado por uma forte expectativa nos dias que antecediam a chegada de uma nova edição da revista... Sempre vinham me contar que ele apanhava um exemplar, folheava, sorria e fazia sinais de aprovação com a cabeça... Nunca me fez – seu estilo – elogios rasgados pelo trabalho, mas também nunca fez nenhuma queixa por algo que o desagradasse, a não ser uma vez, na fase final do meu trabalho ao lado dele...

        Ele me pedira para entrevistar o dono do Rubaiyat, seu amigo Belarmino Iglesias (falecido também neste 2017)... Fiz a entrevista e me encantei com o personagem... Contei com emoção a saga do garçom espanhol que desembarcara ainda jovem no porto de Santos, sem dinheiro no bolso, e se transformara no dono de uma das redes de restaurantes mais sofisticadas do mundo, com três lojas em São Paulo, todas em bairro de elite, uma em Buenos Aires (foi ele que apresentou a picanha aos argentinos) e outra em Madrid, na Espanha...

        A revista circulou e eu na primeira oportunidade perguntei a Levy:

        - Viu a matéria do Belarmino? Gostou ?

        Ele:

        - Vi... Ficou boa. Faltou o “i” do Rubaiyat, né? É um erro que não pode acontecer...

        Liguei meus radares... Comecei a me lembrar com mais frequência do  que me dissera meu saudoso amigo Cláudio Lachini tão logo soube que eu iria trabalhar em linha direta com Levy:

        - Fique esperto! Quando menos esperar, ele lhe trai... Trair faz parte da índole deste senhor!

        Uma semana depois, eu e Levy fomos almoçar com Belarmino Iglesias no Rubaiyiat-Porto, em São Paulo. Levy havia me pedido pra escrever um livro sobre a campanha, liderada pela Gazeta Mercantil, que introduziu o novilho precoce no Brasil. Belarmino Iglesias havia sido um importante personagem da campanha e Levy queria que tivéssemos uma primeira conversa pra acertar detalhes de uma entrevista mais longa, para o livro... Fiquei impressionado com o modo gentil com que Belarmino Iglesias me tratou  durante todo o almoço... Saí do restaurante ao lado  dele, abraçou-me para dizer ao pé do ouvido:

        - Foram as melhores palavras que já escreveram sobre mim durante toda minha vida...lindas, lindas, lindas !

        E eu que pensei que ele iria reclamar da falta do “i”...

E APARECE O VERDADEIRO CARÁTER

        Já em agonia, os Fóruns foram transferidos para uma sala apertada de uma torre comercial pertencente a um dos amigos de Levy numa travessa da avenida Engenheiro Luiz Carlos Berrini (SP)....

        O aperto, para azar do patrão, não comportava segredos e nem cochichos...De modo que eu ouvi tudo, desde o momento que ele, Levy, ordenou a dois de seus capachos, o ex-cunhado Gustavo Aranha entre eles, a me espremer para forçar minha saída até a comemoração – “Ótimo, ótimo!” – ao receber a  informação de que eu havia capitulado...

        Se recusavam a admitir que eu havia combinado com Luiz Fernando Levy uma remuneração extra pela edição da revista embora todos pudessem observar que as atividades do Fórum Social nunca sofreram interrupção... Coisas de gente sem caráter...

        No fundo, caí em desgraça com Luiz Fernando ao contrariar, por puro profissionalismo, o interesse na revista de um de seus chupins familiares... Foi o que aconteceu...  


Belarmino Iglesias


 Restaurante Figueira Rubaiyat

16/11/2017

Efromovich e Tanure, dois predadores no caminho da Gazeta Mercantil em agonia!

Luiz Fernando Levy não conseguia pronunciar o nome dele... chamava-o de “Hermafrodita”...

Fez uma viagem num de seus aviões e falou muito mal: “Assentos quebrados, sujeira por todo lado, serviço de bordo bem vagabundo!”

Já era um prenúncio que duraria pouquíssimo tempo a parceria firmada com German Efromovich, empresário do Rio de Janeiro, que se dizia inimigo de Nelson Tanure, dono de um estaleiro para montagem de plataformas submarinas e da OceanAir, hoje Avianca, empresa de aviação aérea...

Não se sabe o tipo de acordo que Levy firmou com ele... ouvia-se dizer que Levy, o controlador da Gazeta Mercantil, falecido em outubro deste 2017, se afastaria das operações financeiras e administrativas para entregá-las ao novo parceiro.

Foi passageira a era Efromovich. Rompeu o acordo tão rapidamente quanto o selou. Deixou, contudo, marcas reveladoras de seu estilo: suprimiu telefones celulares pagos pela empresa a seus executivos e introduziu relógio de ponto na redação. Funcionários que haviam passado meses a fio sem receber salários, viam-se então obrigados a manter expedientes rigorosos, como numa fábrica de parafusos. 

Dizem que assegurou o suprimento de papel com a ameaça de concorrer com o fornecedor abrindo, ele mesmo, uma trading para fornecer o insumo a todos os jornais brasileiros. Fez a mesma coisa com a operadora de telefonia, que então amargava longa inadimplência nas contas: ou renegociava a dívida ou a Gazeta trocaria de fornecedor do serviço.

Não se sabe se Efromovich desistiu de Levy ou Levy desistiu de Efromovich.

Após bater em retirada, circulou pela empresa o boato de que fizera a Levy uma proposta “indecorosa” para pagamento do passivo trabalhista. Deixou, contudo, um enigma até hoje não decifrado: teria gravado a conversa com dois jornalistas – um dos quais com várias passagens pela redação do jornal – pela qual tentavam achacá-lo em meio milhão de dólares durante o caso de afundamento de uma de suas plataformas de prospecção de petróleo que  havia fornecido à Petrobras. 

Verdade ou mentira, ambos ainda estão por aí atuando como jornalistas influentes!

RUIM COM ELE, PIOR SEM ELE

Sem Efromovich, a situação interna deteriorava-se dia após dia. Depois de sofrer uma refrega na primeira fase da crise, o Sindicato dos Jornalistas estava de volta à redação – promovia assembleias, conversações, exigia diálogo com dirigentes da empresa, agitava. 

A erosão de talentos com a saída voluntária de editores, repórteres, aprofundava-se. O abatimento que tomava conta das pessoas, dentro e fora de São Paulo, refletia-se na qualidade do caderno Gazeta do Brasil, que eu passara a editar, nessa época já transformado quase numa caricatura das edições  iniciais.

Começávamos, enfim, a rezar para que tudo tivesse  um desfecho, ainda que fosse pelas mãos de Nelson Tanure. 

Enquanto isso, Tanure administrava seu objetivo de ter o controle da Gazeta Mercantil na base da guerra de guerrilha. Coincidência ou não, colunas de jornais, informativos da Internet, amanheciam todos os dias com notas infamantes contra a Gazeta, como se fossem balas de uma metralhadora giratória descarregadas contra a já anêmica empresa.

Tanure entrava em contato com o Banco das Américas e negociava a compra do passivo da Gazeta Mercantil, um dos débitos que Levy questionava na justiça, e espalhava a notícia de que o negócio transferia-lhe o controle acionário do jornal.

Levy não poderia mesmo suportar tamanho desgaste por muito tempo. Em outubro de 2003, estava próximo da rendição.

Relutou o máximo que pode e depois de confirmar que o Grupo Estado, também envolvido por crise de endividamento, perdera o interesse na compra da Gazeta, Levy mandou ao Rio de Janeiro um  enviado para reatar a negociação com Nélson Tanure.

EIS QUE SURGE O ESTILO TANURE

O escolhido para a missão foi Xerxes Gusmão (já falecido). Ia e voltava. A cada viagem, trazia informações “animadoras” sobre a proposta de Tanure a Levy. Não demorou muito para que os dois se encontrassem e fechassem um acordo pelo qual a marca da Gazeta era arrendada por um período de sessenta anos.
   
Sem saber com quem lidava, Levy fez o que pode para assegurar a preservação de seu patrimônio: exigiu que ele mesmo presidisse dali em diante, pelos primeiros seis anos do contrato de arrendamento,  o conselho editorial da Gazeta Mercantil, condição ampliada, por “gentileza” de Tanure, ao Jornal do Brasil e à Revista Forbes. 

Ficou também com a administração dos dois Fóruns (de Líderes Empresariais e Fórum de Líderes Sociais). Transferiu para Tanure, mediante contrato público registrado em cartório do Rio de Janeiro, todo o passivo da empresa: trabalhista, com fornecedores de produtos e serviços e vários outros. Também pelo contrato, Tanure via-se obrigado a transferir para Levy um percentual anual sobre as receitas do jornal para fazer frente aos compromissos da empresa com o Refis II.

Assinado o contrato, Tanure fez sua primeira aparição em São Paulo. Teve várias reuniões com executivos da empresa e achou tempo para um encontro com os editores do jornal. Começava a revelar então seus planos para mais aquele veículo (então, já detinha o controle do Jornal do Brasil e da revista Forbes) que acabara de assumir:

- Chega de mentiras!, disse em voz alta, sabendo que agredir o controlador da empresa seria do agrado da maioria das pessoas que formavam a sua seleta plateia.

Anunciava ali a rapidez com que iria providenciar a mudança do jornal daquele prédio:

- A empresa não tem condições mais de permanecer neste palácio ! (Referia-se ao prédio de Santo Amaro (SP), que pertencia aos Fundos de Pensão; há vários anos, a Gazeta não pagava aluguel)

Por último, ao responder uma pergunta sobre possíveis demissões, anunciou o regime que iria impor à relação trabalhista com os funcionários da Gazeta Mercantil:

- Eu não sei dizer o que eu "vou" fazer. Só sei dizer o que eu "não" vou fazer. Eu não trabalho com CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Não trabalho com CLT. Lá com o pessoal do Jornal do Brasil encontramos um novo regime de trabalho e as pessoas estão muito felizes (era mentira). 

DOCE ILUSÃO

O acordo com Tanure despertou-nos a expectativa de que iríamos receber ao menos o salário atrasado do ano. Aos poucos, descobrimos que o seu refrão – “Chega de Mentiras!” - era apenas instrumento de seu oportunismo. 

Foi ele mesmo quem encorajou a formação de uma comissão de  funcionários com o objetivo de negociar um acordo para pagamento dos salários atrasados. Sua primeira exigência foi separar os atrasados dos anos anteriores (passivão) dos atrasados ocorridos em 2003 (passivinho).

Ao cabo de dezenas de reuniões, no Rio de Janeiro, em São Paulo, com Tanure, sem Tanure, com seus executivos, o acordo, tanto para pagamento do passivão como do passivinho, ficou para as calendas. “Chega de mentiras !”- o que será que Nelson Tanure quis dizer exatamente com isso ?

Já em fins de 2003, sob a gestão de Tanure, os salários foram reduzidos. Ele chegou a contratar um despachante em São Paulo para promover a abertura de empresas individuais para os funcionários. Não pagou o escritório contratado, mas aumentava a pressão interna para que todos (exceção dos salários mais baixos, mantidos no regime da CLT) passassem a receber por notas fiscais, como terceiros.

MAS QUE BELO SINDICATO !  

E o Sindicato dos Jornalistas entrava  em cena apenas para tornar o ambiente interno ainda mais confuso. A entidade chegou a impetrar uma ação, em nome dos funcionários, para forçar que Tanure pagasse ao menos o passivinho. 

A ação tinha tantos defeitos técnicos que os advogados de Tanure conseguiram derrubá-la ainda em primeira instância. Em seguida, o Sindicato tentou uma nova ação, mas já sem apoio de funcionários. Usou nome de alguns funcionários à revelia (pura indecência!) e não deu mais informações sobre o destino da ação. Deve ter ficado também para as calendas.

A mudança de prédio ocorreu rápida. Passamos a trabalhar numa pequena torre da rua Ramos Batista, em Vila Olímpia. A redação ocupava na época quatro andares do minúsculo prédio e ainda assim não tínhamos sequer a metade do espaço que usávamos no “palácio” de Santo Amaro.

Com paredes de vidro, do meu assento de trabalho via quando o então presidente do Sindicato, Frederico Ghedini, o Fred, chegava com sua viatura lá embaixo, na rua. A cena deixava-me ainda mais deprimido. Fred puxava um alto-falante de dentro do carro, colocava-o sobre o teto, passava a mão num microfone e começava a gritar: “Desçam todos, desçam todos, vamos protestar contra os donos da Gazeta Mercantil”. Temos o nosso Lula, eu pensava, temos o nosso Lula!

Descíamos, nos expúnhamos de corpo e alma às pessoas que passavam pela Ramos Batista, alheias ao drama que todos vivíamos. Intercalávamos reuniões com o Sindicato às reuniões com os membros da comissão de negociação. Estes sempre tinham “novidades” sobre as conversas mantidas com Tanure. Eu mesmo já me via desesperançado em relação a uma coisa e outra. Participava das reuniões por participar...

CHURRASCO DE COSTELA

Chegávamos ao final de 2003 e eu começava a pensar em qual seria meu destino na nova empresa. Claus Kleber praticamente assumia a responsabilidade pela edição do jornal ocupando o espaço de Luiz Recena (substituto de Roberto Muller), quase que instantaneamente rejeitado por Tanure. 

Não ficou clara para ninguém porque Tanure não quis saber de Recena. Correu apenas o boato de que os dois tiveram um jantar em São Paulo durante o qual Tanure teria feito ao jornalista a pergunta clássica de quem analisava a possibilidade de mantê-lo no cargo. Teria ocorrido um rápido e fulminante diálogo entre os dois:

Tanure: Diga lá, ô Recena, o que você sabe fazer ? 

Recena: O que eu sei fazer, como gaúcho, é um bom churrasco de costela !

Kleber convidou-me para voltar a editar Saneamento e Saúde e logo em seguida me desconvidou. Contaram-me que o “desconvite” foi ainda por influência de Recena. Não cheguei a dizer não, mas estava decidido a recusar. Não queria na empresa mais nenhum cargo que me mantivesse em São Paulo. 

Preferi ficar com a oferta de Xerxes Gusmão: voltar para Campinas na condição de diretor regional e administrar um pequeno escritório mantido pela empresa. Por ingenuidade, cheguei a sonhar com a possibilidade de refazer com o tempo o mesmo projeto da fase anterior para o interior paulista. Meu salário caiu para menos de um terço, o que aceitei sob a promessa de que receberia comissão sobre negócios que o escritório fechasse. 

Por sugestão do próprio Xerxes programei uma visita de Nelson Tanure a empresas de Campinas. A agenda já estava organizada quando sou informado da novidade: Xerxes Gusmão fora transferido para o Rio de Janeiro e substituído na direção comercial da empresa em São Paulo por Flávio Pestana, o ex-presidente do Valor Econômico.

Não posso dizer que Pestana era arrogante. Os arrogantes olham seus interlocutores de cima para baixo. Pestana os olha de baixo para cima. Um olhar estranho: passa a sensação de que tem aversão ou ódio das pessoas que se aproximam dele.

SAPATO APERTADO

Iniciamos uma relação de trabalho que eu, por antecipação, sabia que não daria certo. Sob as asas de Tanure, o sapato de Pestana ficara muito apertado. Tratava-me como um general que venceu a guerra trata os oficiais - ou soldados - do exército derrotado. Deveria ter-se esquecido de que perdera também a guerra de desenvolvimento do Valor Econômico, mídia que não decolou enquanto esteve sob seu comando.

A visita de Tanure aconteceu já em meados de março de 2004. Pestana não permitiu que eu viajasse  ao lado do empresário no carro que os levou do aeroporto de Viracopos até Campinas. Tive de acompanhá-los em outro carro. Conversei com Tanure por uns dez minutos numa lanchonete do aeroporto. Vi nele apenas um problema: não ouve as pessoas. Fala mais do que ouve. Passa recomendações rápidas e encerra o assunto, com a objetividade dos espertos ou dos rápidos. Deveria fazer um curso de “escutatória”. 

Queria falar a ele do potencial do interior de São Paulo, considerado o segundo mercado do país, depois da Grande São Paulo; queria falar-lhe da importância de voltar a investir na região, mas não tive chance. Visitou duas empresas de energia elétrica (o presidente de uma delas, a CPFL, não quis recebê-lo) propôs a realização pela Gazeta de seminários para ajudar na definição do marco regulatório do setor e foi embora. Nunca mais o vi. 

MAS QUE BELO REGIME!

Mais alguns meses de trabalho e consigo observar o regime estabelecido pelo novo gestor, Nelson Tanure, à Gazeta Mercantil: poderia ser chamado de regime do “não pagar”, do “não pagar”. Forçou para que todo o passivo trabalhista fosse parar na justiça. Não pagou nenhum tostão dos salários atrasados. Não pagava sequer míseras despesas de serviços realizados pela empresa. Não pagava comissão sobre venda. Até Flávio Pestana reclamava da insuportável cultura do “não pagar”.

Suportei mais dois meses desse persistente “não pagar” e resolvi pular fora. Fiz uma visita a Levy com o intuito de despedir-me e ele convidou-me para dirigir o Fórum de Líderes Sociais do Brasil. Estávamos em junho de 2004. Levy começava a respirar novamente depois de atravessar a longa turbulência. Preparava-se então para também conviver com a cultura do “não pagar”.

Soube então que Xerxes Gusmão retomara o comando de algumas estruturas da Gazeta, entre as quais o pequeno escritório de Campinas, ainda por ser montado. Voltava a ser meu chefe imediato. Sabia que não receberia nenhum tostão das verbas rescisórias. 

Estranha a maneira de deixar uma empresa onde trabalhei por seis anos a fio. Telefonei para Xerxes Gusmão no Rio de Janeiro e disse apenas:

- Fui!

(No próximo e último capítulo desta série, falarei do fim da Gazeta e da ascensão e declínio dos Fóruns, uma experiência de trabalho que me fez enxergar o verdadeiro caráter de Levy)



Luiz Fernando Levy

07/11/2017

Gazeta Mercantil: o voo de galinha do Investnews!

        Quando, em março de 1998, fui admitido pela Gazeta Mercantil, já acumulava 10 anos de experiência na difusão de informações pelo meio eletrônico como executivo da Agência Estado, empresa do Grupo Estado, transformada na minha época de agência de notícias a agência de informações...

        A Agência Estado (AE), sob a batuta de Rodrigo Mesquita, teve uma decolagem esplêndida! Saíra de uma receita de 500 mil reais/ano, em 1988, para chegar a uma receita superior a 100 milhões/ano, em 1998... E eu não apenas participara como presenciara a decolagem, conhecia em minúcias todos os segredos do projeto...

        Mais que isso, eu havia estado na Nikkey, em Tóquio,  e observado como os japoneses conseguiam multiplicar o uso de um mesmo conteúdo por mais de uma dezena de mídias, inclusive o serviço por via eletrônica em tempo real...entrevistei diretores de conteúdo da Nikkey e redigi um relatório que impactou as atividades da Agência Estado...

        O Globo quis emular o modelo da AE, mas se deu mal: investiu em pessoas erradas e seu projeto de difusão de informações pela via eletrônica naufragou em menos de dois anos...Não conhecia os segredos da AE!

PARECIA URUCUBACA

        Quase coincidindo com minha saída da Agência, a Gazeta Mercantil contratou um funcionário graduado da AE, Edmilson Marin, para alavancar o Investnews, o braço eletrônico da empresa... Marin foi meu funcionário na Agência, eu é que o havia promovido a gerente... Era um ótimo vendedor. Nada mais que um vendedor...
Nos sete anos em que permaneceu na AE, nunca deu sequer uma pequena contribuição de caráter estratégico...

        Com pouco mais de um ano no cargo, Marin aproveitou o encontro da diretoria da Gazeta em Uberlândia (MG) para apresentar o “novo e revolucionário” software do Investnews recém desenvolvido sob sua orientação. Atrapalhou-se no meio da demonstração e teve de suportar a interpelação devastadora do diretor comercial, Cláudio Lachini (falecido em 2015):


        - Escuta Marin, tem um manual de uso desse programa para pessoas como você?

        Ao me afastar da Agência Estado em fevereiro de 1998, havia prometido a mim mesmo que nunca mais me meteria naquele tipo de trabalho, de ajudar uma empresa jornalística a decolar em atividades que pouco tinham a ver com o jornalismo clássico, tradicional, minha paixão... Ainda assim, redigi um longo e didático texto chamando atenção para os segredos que impulsionaram fortemente a Agência Estado...

        Minha intenção era entregar o material a Luiz Fernando Levy, o controlador da Gazeta Mercantil (falecido em Florianópolis em outubro de 2017), e fazer com que ele enxergasse o quanto erráticos eram os caminhos tomados até então pelo Investnews; antes de receber o texto, pediu que eu o encaminhasse a seu sobrinho, Victor Levy, que vivia já há vários meses no exterior se preparando pra assumir o braço eletrônico da Gazeta...

        Foi o que fiz. Sei que Victor recebeu, mas creio que não teve tempo de ler: foi demitido algumas semanas depois embaixo de uma nuvem de suspeitas de que desviara recursos da empresa; nunca mais ouvimos falar dele...

        Parecia urucubaca...O Investnews continuou o seu voo de galinha... No segundo semestre de 2000, Levy conseguiu fechar a negociação de venda de parte do Investnews ao grupo Portugal Telecom e assim obteve uma injeção de capital da ordem de R$ 80 milhões, isso mesmo, 80 milhões.

        Pelo que se ouviu dizer na época, o dinheiro serviu para que Luiz Fernando Levy comprasse as ações pertencentes a seus irmãos e se posicionasse como controlador soberano da empresa. O dinheiro dos portugueses desapareceu e não serviu sequer para fazer o Investnews decolar (sei dizer que a Portugal Telecom foi muito boicotada por assessores de Levy).

DIÁLOGO COM SURDOS

        Em 2002, a crise já mostrava a sua cara aterradora. Luiz Fernando Levy batera em retirada, entregando o comando da empresa ao jovem financista Sergio Thompson Flores... Eu continuava na direção das Unidades Regionais do interior paulista, trabalhava intensamente sem receber salário e me recusava a usar a meu favor recursos da empresa arrecadados pelas três unidades que administrava...

        No comecinho do ano, sou chamado a São Paulo para uma conversa com Sergio Thompson Flores... Não fui avisado do assunto.

        Já em sua sala, descobri que ele soube que eu havia trabalhado dez anos na Agência Estado e queria conversar sobre o Investnews. Animei-me com a possibilidade de transferir conhecimento e conceitos ao Investnews e quem sabe levar o serviço a encontrar um rumo:

         Flores - O que acontece com o Investnews, hem? Por que esse serviço depois de tanto tempo não decolou?

         Eu - A marca Investnews é hoje uma marca queimada. Tentou concorrer com a Agência Estado e não conseguiu...

         Flores - Mas por que isso aconteceu ?

        Eu - No fundo, ele oferece ao mercado algo que não tem pra entregar: o chamado “hard-news”, a notícia quente do momento, que não é e nunca será a praia de seu principal provedor, o jornal Gazeta Mercantil.

        Flores - Então quer dizer que a Gazeta não tem condições de produzir “hard news”?

         Eu - Não, não tem. Nunca terá...

         Flores - Como assim? Ah, o Roberto Muller (diretor de redação) tem de participar dessa conversa (liga para Muller e o chama em sua sala).

         Flores (dirigindo-se a Muller) - A Gazeta Mercantil então não tem condições de produzir “hard news”?


         Muller (certamente enxergando em sua frente um diretor regional pretendendo assumir o comando do Investnews) - Claro que tem. A Gazeta tem condições de produzir todo o hard-news que o Investnews vier a precisar.

         A conversa implodiu. Dali em diante, Thompsom Flores e eu fomos obrigados a ouvir Roberto Muller  dissertar sobre seus “vastos conhecimentos” de serviços de difusão eletrônica e seus planos para ativar o Investnews, deixando claro, evidentemente, que para isso não precisaria de minha ajuda. E o Investnews atravessaria mais dois anos de crise representando apenas  um centro de custos — e custos elevados — para uma empresa em agonia.

        Para alavancar o Investnews, ao invés de aproveitar as informações que eram captadas para produção do jornal Gazeta Mercantil – o que eu proporia, se me ouvissem - a dupla Roberto Muller - Mathias Molina (responsável pela redação) investiu preciosos recursos na montagem de uma estrutura específica e paralela, diziam eles que “especializada” na produção de hard-news (Um dos segredos da AE era justamente o de realizar um segundo aproveitamento dos conteúdos que já eram produzidos para os jornais da casa –  Estadão e Jornal da Tarde).

        Chefiava a estrutura a esposa de Mathias Molina, Cinthia Malta. Convivi com ela o suficiente pra perceber que  não tinha a menor noção do que fosse um serviço de difusão de informações pela via eletrônica.

UM SERVIÇO DE FEATURES

        No texto que enviei a Victor Levy, sugeria que a Gazeta esquecesse o hard-news e competisse naquilo que ela mais sabia fazer:  features de economia e análise setorial (ver ao final deste texto o significado do termo feature*)... O fracasso da Gazeta Mercantil é também um belo exemplo a demonstrar o quanto as lideranças personalistas podem contribuir com o naufrágio de um bom empreendimento...

        Eu tinha certeza de que o dinheiro que a Gazeta Mercantil precisava para superar a crise e se reequilibrar poderia vir do Investnews se soubesse aproveitar alguns dos segredos da Agência Estado que eu poderia revelar, gratuita e desinteressadamente... Desde que pagos pela mídia impressa, os custos dos serviços de difusão de informações pela via eletrônica são baixíssimos e as receitas não decaem com as crises... diria que elas até aumentam porque todos os usuários vão precisar de mais informações pra se defender dos males da crise... Outra vantagem é que a inadimplência é sempre próxima de zero – se não pagar a fatura do mês, o usuário fica sem informação...

        E a Gazeta Mercantil, por sua tradição e credibilidade na produção de features de economia e negócios, tinha plenas condições de decolar rápido e ocupar, em no máximo dois anos, um segundo lugar na condição de provider do mercado financeiro e empresarial...

        *FEATURES - Gênero jornalístico que vai além do caráter factual e imediato da notícia, opondo-se a "hard news", que é o relato objetivo de fatos relevantes para a vida política, econômica e cotidiana (Folha On-Line).

(No próximo capítulo da série sobre Luiz Fernando Levy, falarei da inefável gestão Nelson Tanure e do declínio dos Fóruns de Líderes)





Paula Gertrudes, Luiz Fernando Levy, Cláudio Lachini... 

Cláudio Lachini e Levy na época em que eram amigos...
O inesquecível Cláudio Lachini e Paula Gertrudes, espécie de chefe do cerimonial da Gazeta Mercantil, cuja beleza e simpatia a fizeram amada por toda a comunidade "gazetiana"...